O protecionismo continua sendo um dos freios à produtividade brasileira, na avaliação do ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Em entrevista ao BM&C Talks, o economista afirmou que o fechamento da economia e a pressão por barreiras comerciais reduzem a concorrência, desestimulam a inovação e favorecem setores menos eficientes.
Ao comentar recentes movimentos por aumento de tarifas de importação e maior proteção a segmentos da indústria, Maílson disse concordar com a crítica de que parte do empresariado brasileiro se acomodou à lógica de buscar incentivos e barreiras em vez de competitividade.
Na avaliação do ex-ministro, esse comportamento não é generalizado, mas existe de forma relevante em setores que pressionam por subsídios, proteção tarifária e restrições à importação. O problema, segundo ele, é que esse caminho enfraquece justamente o elemento de que o Brasil mais precisa: produtividade.
“A gente sabe que o fechamento da economia, o protecionismo excessivo, gera desincentivos à inovação, porque as empresas se acomodam”, disse.
Principais críticas de Maílson da Nóbrega ao protecionismo
- reduz a concorrência;
- desestimula inovação;
- favorece acomodação empresarial;
- pode criar mercados mais concentrados;
- dificulta o avanço da produtividade.
Maílson também criticou a elevação de tarifas de importação sobre uma ampla lista de produtos. Para ele, esse tipo de medida representa um retrocesso na política econômica.
“Essa medida adotada pelo governo agora de esses 1000 casos de aumento de tarifa de importação é uma barbaridade”, declarou.
Na entrevista, o ex-ministro afirmou que a resposta escolhida pelo governo revive uma lógica antiga de reserva de mercado, em benefício de empresas que querem reduzir a pressão competitiva. Para ele, isso se torna ainda mais problemático em um momento em que o país precisaria abrir espaço para modernização, eficiência e ganho de escala.
Maílson também ressaltou que o Brasil não enfrenta uma crise clássica de balanço de pagamentos que justificasse uma guinada protecionista dessa magnitude.
“O movimento atende mais a pressões setoriais e a uma visão intervencionista da economia do que a uma necessidade macroeconômica objetiva“, destaca.
Ao final, a mensagem do ex-ministro foi clara: sem concorrência, sem abertura e sem compromisso com inovação, o Brasil seguirá preso a um ambiente de baixa produtividade e crescimento limitado.
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