
A NASA deu início à histórica missão Artemis II, na noite da última quarta-feira (01), levando quatro astronautas para uma viagem de cerca de 10 dias ao redor da Lua. O projeto marca o retorno da humanidade à Lua após mais de 50 anos.
Após três dias de viagem, os tripulantes Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen enfrentam uma rotina incomum a bordo da aeronave Orion.
Banho com lenço, xampu sem enxágue e sabonete sem água, dormir “como morcegos”, academia por 30 minutos e banheiro do tamanho de uma cabine telefônica são alguns dos desafios no dia a dia dos astronautas, além da missão especial.
Tudo isso em uma nave de pouco mais de 9 metros cúbicos, aproximadamente o mesmo espaço que duas minivans, segundo a NASA.
Banho

Durante uma das transmissões ao vivo da NASA da cápsula Orion, que segue rumo à Lua, um momento da intimidade dos astronautas da Artemis II acabou sendo revelado.
Quem assistia à transmissão acompanhou um banho espacial, com toalha umedecida, do astronauta Victor Glover.
Nas imagens, Glover aparece usando uma toalha umedecida para limpar os pés. O banho no espaço é adaptado à ausência de água corrente e gravidade.
Para fazer a higiene pessoal, também é possível usar xampu sem enxágue e sabonete sem água.
A higiene bucal também não é comum, por conta da falta de uma pia com água corrente e escoamento: a tripulação costuma engolir a pasta de dente ou cuspir em uma toalha.
A barba dos astronautas é feita com um aparelho com lâminas especiais projetadas para reter os pelos.
“Como morcegos”
Segundo o comandante da missão, Reid Wiseman, os tripulantes têm dormido “como morcegos” ou da forma que conseguem se acomodar dentro da cápsula. Após a empolgação do lançamento, realizado na última quarta-feira (01), a equipe conseguiu apenas alguns cochilos curtos nas primeiras 30 horas de missão.
A astronauta Christina Koch, por exemplo, tem descansado de cabeça para baixo no centro da nave, suspensa próximo ao túnel de acoplamento.
Já Victor Glover encontrou um pequeno espaço onde consegue se encaixar, enquanto Jeremy Hansen prefere se esticar em um dos assentos.
O próprio comandante Wiseman revelou que dorme sob os painéis de controle, pronto para agir rapidamente em caso de emergência.

Academia
De acordo com a NASA, cada astronauta deve dedicar 30 minutos diários a exercícios para minimizar a perda muscular e óssea que ocorre na ausência de gravidade.
Para isso, a nave Orion conta com um volante de inércia, um pequeno dispositivo instalado diretamente abaixo da escotilha lateral usada para entrar e sair da nave.
O volante de inércia é um aparelho simples, baseado em cabos, que pesa aproximadamente 14 kg e é um pouco menor que uma mala de mão. Ele é utilizado para exercícios aeróbicos, como remo, e de resistência, como agachamentos e levantamento terra.
O aparelho funciona como um ioiô, permitindo que os astronautas apliquem a mesma carga que eles, com um limite máximo de 180 quilos.

Banheiro
O banheiro da Orion, instalado na cápsula apelidada de “Integrity”, foi projetado para oferecer um mínimo de privacidade aos tripulantes em um ambiente extremamente compacto.
Com cerca de 9 metros cúbicos de espaço interno, a nave dispõe de um compartimento semelhante a uma cabine telefônica para essa finalidade.
Antes do lançamento, o astronauta canadense Jeremy Hansen já tinha destacado a importância desse espaço para a tripulação.
Poucas horas após o lançamento histórico da missão Artemis II, os astronautas identificaram uma falha no sistema do banheiro.
A situação foi reportada inicialmente pela astronauta Christina Koch, especialista da missão e única mulher a bordo, logo após a decolagem.
De acordo com informações divulgadas pela NASA durante a transmissão oficial, o ventilador do banheiro apresentou uma falha ao ficar travado, o que comprometeu parcialmente o funcionamento do sistema.
O diretor de operações de voo da agência, Norm Knight, explicou que o problema estava relacionado a um controlador do equipamento.
Trajes

Outro detalhe curioso está nos trajes utilizados pelos astronautas. Muito mais avançados do que os da época do Programa Apollo, eles funcionam praticamente como espaçonaves individuais.
Esses equipamentos foram desenvolvidos para oferecer mais mobilidade e segurança, principalmente para futuras missões de longa duração na Lua e em Marte.
Além disso, a cor do uniforme chama a atenção. Eles utilizam trajes na cor International Orange.
As roupas são de sobrevivência, com sistemas de suporte à vida, para aumentar a visibilidade e facilitar operações de resgate durante o lançamento e o retorno. Portanto, a escolha da cor dos uniformes não está ligada ao estilo ou à estética, mas sim a um critério técnico de segurança.
O objetivo principal é facilitar o resgate da tripulação após o pouso ou em caso de emergência durante o retorno à Terra.
A cor foi escolhida por seu alto contraste em relação ao ambiente natural, o que ajuda as equipes de busca a localizar rapidamente os astronautas.
Alimentação
A alimentação dos astronautas foi definida com cientistas de alimentos do Laboratório de Sistemas Alimentares Espaciais do Centro Espacial Johnson da Agência Espacial Europeia.
Eles trabalharam junto com a tripulação para pré-selecionar suas refeições muito antes de partirem da Terra. Embora não tenham as opções diárias que uma tripulação da estação espacial tem durante suas expedições, os astronautas da Artemis II terão um cardápio fixo baseado em suas preferências pessoais e necessidades nutricionais.
Além disso, a NASA informou que a Orion está equipada com um dispensador de água e um aquecedor de alimentos para reidratar e aquecer a comida. A tripulação terá horários de refeição específicos em sua programação para reabastecer as energias.
Assistência médica
Em caso de emergências médicas menores durante a missão, a Orion conta com um kit médico que inclui desde itens básicos de primeiros socorros até ferramentas de diagnóstico, como estetoscópio e eletrocardiógrafo.
Os aparelhos podem ser usados para fornecer dados aos médicos em terra. A tripulação também terá consultas médicas privadas regulares com os médicos de voo no centro de controle da missão para discutir sua saúde e bem-estar.
