A cidade com o “pior” índice de qualidade de vida do Brasil: o ponto mais norte do Brasil ao lado de 82 cachoeiras e da montanha que divide 3 países

A cidade com o “pior” índice de qualidade de vida do Brasil: o ponto mais norte do Brasil ao lado de 82 cachoeiras e da montanha que divide 3 países

No encontro do Brasil com Venezuela e Guiana, Uiramutã reúne a maior proporção indígena do país, o marco geográfico mais setentrional do território nacional, 82 cachoeiras catalogadas e o Monte Roraima. Os indicadores oficiais apontam ausência de infraestrutura, mas a cidade de Roraima guarda riquezas que nenhuma nota mede.

A nota que colocou Uiramutã no fim da lista

O Índice de Progresso Social Brasil (IPS Brasil) avaliou em 2024 todos os 5.570 municípios brasileiros usando 53 indicadores extraídos de bases oficiais como IBGE, DataSUS, Anatel e CadÚnico. A metodologia internacional da Social Progress Imperative combina três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.

Uiramutã ficou com 37,63 pontos em uma escala de 0 a 100. Segundo o levantamento publicado pelo Imazon e pela iniciativa Amazônia 2030, o município puxou a classificação para o fundo em dois indicadores específicos: moradia (10,47 pontos) e acesso à informação e comunicação (12,39 pontos).

A cidade com o “pior” índice de qualidade de vida do Brasil: o ponto mais norte do Brasil ao lado de 82 cachoeiras e da montanha que divide 3 países
A cidade com o “pior” índice de qualidade de vida do Brasil: o ponto mais norte do Brasil ao lado de 82 cachoeiras e da montanha que divide 3 países (imagem ilustrativa)

Uma cidade dentro da maior terra indígena em área contínua

Uiramutã foi criada por lei federal em 1995, poucos anos antes da demarcação oficial da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, que ocorreu em 1998. O núcleo urbano acabou cercado pela reserva de 1,7 milhão de hectares, habitada por cerca de 28 mil indígenas dos povos Macuxi, Taurepang, Ingarikó, Patamona e Wapichana, segundo dados da Câmara dos Deputados.

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a demarcação contínua da Raposa em 19 de março de 2009, em julgamento que virou marco nas disputas fundiárias do país. A sede urbana de Uiramutã e seis pelotões de fronteira foram excluídos da reserva, mas todo o entorno é território protegido. Isso significa que, na prática, a cidade é uma ilha administrativa cercada por aldeias indígenas.

Monte Roraima é o santuário onde a vida evoluiu isolada no topo das nuvens // Créditos: depositphotos.com / sunsinger

A maior proporção indígena de todas as cidades brasileiras

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou que 13.283 dos 13.751 moradores de Uiramutã se declaram indígenas. É o maior percentual do Brasil, com 96,6% da população.

Os povos Macuxi e Ingarikó concentram a maioria, mas convivem também Wapichana, Taurepang e Patamona. O prefeito eleito, Tuxaua Benísio, é do povo Macuxi. A prefeitura mantém atividades de etnoturismo e registrou 82 cachoeiras no território municipal, segundo dados da Prefeitura de Uiramutã.

O ponto mais ao norte do Brasil está aqui

O território municipal de 8.113 km² abriga o Monte Caburaí, marco geográfico com 1.456 metros de altitude que define o ponto mais setentrional do país. Ele fica a aproximadamente 600 km em linha reta do marco mais ao sul do Brasil e substituiu o Oiapoque como referência oficial do norte brasileiro nos anos 1990.

O Monte Roraima, compartilhado entre Brasil, Venezuela e Guiana, também está dentro dos limites de Uiramutã. Seu cume forma a tríplice fronteira e é um dos picos mais altos do país, com 2.734 metros de altitude. O acesso brasileiro à montanha passa justamente por aldeias indígenas da Raposa Serra do Sol.

Quem deseja conhecer o ponto mais setentrional do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal O Mundo Por Onde Passamos, que conta com mais de 10 mil visualizações, onde o apresentador Neves viaja de moto para explorar as cachoeiras de Uiramutã, em Roraima, passando pela reserva indígena Raposa Serra do Sol:

Uma cidade isolada entre três países

Uiramutã é a única sede municipal do Brasil que faz limite simultâneo com dois países em sua fronteira norte. A linha divisória com a Venezuela corre ao longo do relevo escarpado da Serra Pacaraima, enquanto a Guiana fica a leste, separada pelos rios Maú e Ireng.

A posição geográfica cria desafios logísticos particulares. O 6º Pelotão Especial de Fronteira do Exército Brasileiro mantém presença permanente na sede urbana e controla o fluxo migratório venezuelano, que aumentou na última década. A ausência de infraestrutura de telecomunicações e a distância dos centros administrativos de Roraima agravam o isolamento já imposto pela geografia.

Vale a pena olhar para Uiramutã

Uiramutã reúne em um só território o ponto mais ao norte do Brasil, a maior proporção indígena do país e um dos cenários naturais mais preservados da Amazônia. O baixo desempenho no IPS mede ausência de infraestrutura pública, não define a qualidade humana ou cultural do lugar. Os indicadores revelam dívidas históricas do Estado, não o valor de quem vive ali.

São 82 cachoeiras, o Monte Roraima, savana, serras e cinco povos indígenas que construíram formas próprias de viver no cruzamento de três países. Você precisa conhecer Uiramutã para entender que o mapa do Brasil tem cantos que só revelam sua riqueza quando olhados de perto.

O post A cidade com o “pior” índice de qualidade de vida do Brasil: o ponto mais norte do Brasil ao lado de 82 cachoeiras e da montanha que divide 3 países apareceu primeiro em BM&C NEWS.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.