
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB), informou neste domingo (05) que conseguiu as assinaturas necessárias para pedir a prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias.
A intenção é ampliar o prazo atual, que termina em 14 de abril, para continuar a análise de documentos, ouvir depoimentos e finalizar o relatório. A decisão sobre a continuidade da CPI cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).
Segundo Alessandro Vieira, ainda faltam etapas importantes antes do encerramento da comissão. O senador destacou a necessidade de ouvir mais pessoas e analisar materiais que já foram reunidos.
O relator acrescentou que a CPI busca “trazer um pouco de luz, apontando abusos, omissões e crimes de figuras poderosas” e reforçou que “o Brasil só será uma República democrática de verdade quando a mesma lei valer para todos”.
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Andamento da comissão
Enquanto aguardam a decisão do presidente do Senado, os integrantes da comissão continuam com o cronograma de depoimentos.
A comissão já aprovou novas convocações, entre elas a do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que não compareceu anteriormente após decisão do ministro André Mendonça, do STF, que transformou a convocação em convite, permitindo a ausência.
A CPI também ouviu o professor da Universidade de São Paulo, Leandro Piquet Carneiro, que apontou mudanças no perfil do crime na América Latina. Segundo ele, crimes violentos têm diminuído, enquanto aumentam os casos de fraudes e atuação em mercados ilegais, como contrabando e falsificação. O pesquisador destacou ainda que o combate a esse tipo de crime depende do enfrentamento da corrupção dentro das instituições.
Durante os trabalhos, parlamentares também criticaram decisões do Supremo Tribunal Federal que, na avaliação de integrantes da comissão, têm dificultado o andamento das investigações.
Além disso, foram aprovadas convocações de ex-governadores, como Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF), para prestar esclarecimentos sobre temas relacionados ao combate ao crime organizado e possíveis conexões com investigações em curso.
Próximos passos
Até o momento, não há previsão de quando Davi Alcolumbre deve decidir sobre o pedido de prorrogação. Caso autorizado, o novo prazo permitirá à comissão avançar na coleta de provas e consolidar o relatório final.
