Conheça o bairro de Fortaleza onde as ruas levam nomes de militares e que guarda um mercado histórico


Conheça a história do bairro Aerolândia, em Fortaleza
Com ruas que levam nomes de militares e um mercado histórico, o bairro Aerolândia está situado entre a rodovia BR-116 e a Avenida Governador Raul Barbosa, vias de grande movimentação de Fortaleza, e faz parte da Regional 6 da capital.
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Aerolândia tem várias ruas que homenageiam militares mortos em acidentes aéreos e heróis da Segunda Guerra Mundial.
Thiago Gadelha/ SVM
A Regional 6 tem população estimada em 252.809 mil habitantes e é formada por 15 bairros: Aerolândia, Alto da Balança, Cambeba, Cidade dos Funcionários, Coaçu, Curió, Guajeru, Jardim das Oliveiras, José de Alencar, Lagoa Redonda, Messejana, Parque Iracema, Parque Manibura, Paupina e São Bento.
Embora a maioria dos bairros dessa regional possuam Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) inferior a 0,500, considerado muito baixo, a região se destaca pelas áreas de preservação ambiental, equipamentos públicos e intensa atividade comercial.
Formação da Aerolândia
Fachada da Base Aérea em 1991. Trabalhadores que atuaram na construção da Base foram os primeiros moradores da Aerolândia.
Kiko Silva/ SVM
Onde hoje conhecemos como Aerolândia, antes fazia parte do Bairro Alto da Balança. Em 1930, a região cresceu com a vinda de trabalhadores para a construção do Campo de Aviação, primeiro aeroporto da cidade. Anos depois, a Base Aérea de Fortaleza também foi implantada no local.
Esses trabalhadores tornaram-se os primeiros moradores do bairro Aerolândia, que hoje abriga mais de 11 mil pessoas, segundo o Censo de 2022.
A origem ligada ao aeroporto e à Base Aérea de Fortaleza fez com que, posteriormente, o bairro fosse batizado de Aerolândia.
Bairro Aerolândia está situado entre a rodovia BR-116 e a Avenida Governador Raul Barbosa, vias de grande movimentação de Fortaleza.
Thiago Gadelha/ SVM
Conforme o historiador P. A. Damasceno, a forte vinculação com a ocupação militar também foi determinante para que várias vias do bairro homenageassem militares mortos em acidentes aéreos e outros, que foram condecorados como heróis por participação na Segunda Guerra Mundial.
“É comum que você tenha nesses bairros, de origem militar, um aumento de homenagens a quem é associado ou vinculado à história, tanto do Exército, e, no caso da Aerolândia, aos aviadores”, conta o historiador P. A. Dasmasceno.
Vias da Aerolândia que levam nome de militares:
Ruas Tenente Roma, Capitão Clóvis Maia, Capitão Vasconcelos e Capitão Olavo estão entre as vias do bairro que homenageiam militares.
Thiago Gadelha/ SVM
Rua Aspirante Mendes
Rua Brigadeiro Vilela
Rua Capitão Olavo
Rua Capitão Aragão
Rua Capitão Uruguai
Rua Capitão Vasconcelos
Rua Capitão Nogueira
Rua Coronel Belo
Rua Coronel Gonçalo
Rua General Lima e Silva
Rua Major Gerardo Mendes
Rua Major José Araújo Aguiar
Rua Tenente Aurélio Sampaio
Rua Tenente Jaime Andrade
Rua Tenente João Albano
Rua Tenente Wilson
Rua Tenente Roma
Rua Djalma Petit
Travessa Coronel Gonçalo
Travessa Sargento Pessoa
Travessa Sargento Portugal
As demais ruas do bairro são alusivas a comerciantes, profissionais liberais e outras personalidades. Também há vias com nomes inusitados, como Rua do Piloto, Rua da Monarquia, Rua da República, Rua do Reinado e Rua do Principado.
A agente de cidadania Lúcia de Fátima, de 68 anos, que há mais de 30 anos mora no bairro, lembra o início difícil de quando chegou de Morada Nova, no Interior do Ceará, para morar em Fortaleza e quase perdeu a casa em uma enchente ocasionada pela cheia do Canal do Lagamar, que separa a Aerolândia dos bairros São João do Tauape e Alto da Balança.
“As ruas não eram asfaltadas e, quando chovia, era uma loucura por causa das enchentes, com a água entrando nas casas e a gente perdendo tudo. Passei dificuldade, mas não tenho vontade de sair daqui nunca”, falou Lúcia de Fátima.
Mercado da Aerolândia
O Mercado da Aerolândia foi inaugurado no dia 12 de julho de 1938.
Thiago Gadelha/ SVM
O Mercado da Aerolândia, localizado às margens da BR-116, é um dos principais equipamentos públicos do bairro. A estrutura integrava originalmente o Mercado de Ferro, inaugurado em 18 de abril de 1897, na antiga Praça Carolina, que depois passou a se chamar Praça José de Alencar, no Centro da capital.
“É uma estrutura que vem para cá no processo de embelezamento da Fortaleza Belle Époque e vai para o Centro. O Mercado de Ferro era aberto, arejado, para demonstrar essa coisa da salubridade. Então ele juntava o ferro, que era forte, símbolo da indústria, da modernidade, mas de uma forma rebuscada, para mostrar sofisticação e beleza”, falou o historiador P. A. Damasceno.
A estrutura, fabricada na França, foi desmembrada em 1938. Com isso, metade dela se tornou o Mercado dos Pinhões (que existe até hoje no Centro da cidade) e a outra parte, o Mercado da Aerolândia, implantado no bairro no dia 12 de julho de 1938.
A estrutura do equipamento integrava originalmente o Mercado de Ferro, estrutura fabricada na França que veio para o Ceará no processo de embelezamento da Fortaleza Belle Époque.
Thiago Gadelha/ SVM
“É o mesmo período que o bairro está crescendo e começa a se estender para além dos limites da Base Aérea. Acredito até em uma tentativa de facilitar essa ocupação, pois o mercado é uma área de sociabilidade”, afirmou o historiador.
O equipamento municipal do século XIX foi tombado pela Prefeitura de Fortaleza em 2008, tendo em vista o seu valor simbólico e histórico-cultural para a cidade.
O local passou por uma grande reforma, com custo de R$ 2,7 milhões, em 2015. Porém, no início da pandemia, em 2020, foi fechado. Desde então, o equipamento não possui uma previsão de reabertura.
Em 2024, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf) chegou a propor que o Mercado da Aerolândia fosse desmontado e interligado ao Mercado dos Pinhões para a criação de um polo gastronômico, cultural e turístico. Em contrapartida, seria construído no espaço um polo de lazer e cultural para o bairro.
Desde de 2020 o Mercado da Aerolândia está fechado e ainda não há uma data para previsão da reabertura e retomada das atividades no local.
Thiago Gadelha/ SVM
A proposta de reunir as estruturas “irmãs”, no entanto, não foi bem aceita pelos moradores, que realizaram uma votação comunitária que garantiu a permanência do Mercado. A iniciativa popular foi liderada pelo líder comunitário Francisco Paulo de Almeida, conhecido como “Motoca”, de 62 anos.
Residente do bairro há 59 anos, morando na Rua Capitão Vasconcelos, Francisco Paulo cultivou uma amor pela Aerolândia que o faz buscas melhorias para a região, principalmente para o Mercado, equipamento que fez parte da história de sua família.
“Quando a gente chegou do distrito de Pascoal, em Pacajus, meu pai trazia do interior galinhas, cereais, frutas e tudo ele negociava no Mercado (da Aerolândia). Frequentava desde criança, fui crescendo e tomei gosto por esse Mercado”, contou Francisco Paulo.
Recentemente, Francisco realizou um ato em frente ao Mercado pedindo a reabertura do equipamento e a implantação de um polo gastronômico na região. “A Aerolândia tem um potencial muito grande da gastronomia e áreas que podem ser mais aproveitadas para a população”, defendeu o líder comunitário.
A Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) é responsável pela gestão cultural do equipamento e acompanha, por meio da Coordenadoria de Patrimônio Histórico e Cultural (CPHC), a aprovação do projeto de reforma e acompanhamento das obras do Mercado – que ainda não tem previsão para ocorrer.
Conforme a pasta, a revitalização do local tem sido amplamente discutida com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), com quem a Secultfor já realizou estudos técnicos preliminares e mantém diálogo constante.
“Por se tratar de um bem tombado, que requer um restauro técnico complexo e oneroso, com investimento estimado de R$ 2,7 milhões, a Secultfor segue em busca de fontes complementares de financiamento, por meio de parcerias e da captação de recursos externos, no sentido de viabilizar o início do restauro ainda em 2026”, disse a Secultfor.
Parque do Cocó
A Aerolândia abriga uma parte do Parque Estadual do Cocó.
Nilton Alves/ SVM
O Bairro da Aerolândia também abriga uma parte do Parque Estadual do Cocó, maior parque natural em área urbana do Norte e Nordeste e o quarto da América Latina, sendo o maior fragmento verde da capital cearense.
Com 1.581,29 hectares, o Parque do Cocó se estende por mais de 15 bairros e supera, em área, o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o Central Park, em Nova York.
No local é possível curtir a natureza, fazer trilhas, piqueniques, praticar esportes e até andar de barco pelo Rio Cocó.
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