
Estados Unidos e Irã começaram a semana com uma proposta de cessar-fogo intermediada pelo Paquistão nas mãos. A ideia era interromper os ataques por 45 dias. No período, Washington suspenderia a ofensiva contra alvos iranianos, em parceria com Israel. E Teerã deixaria de lançar mísseis nos vizinhos árabes, uma das principais ferramentas de pressão sobre Trump, já que vem de lá parte da produção de petróleo cujo preço do barril já é afetado pela ofensiva.
Nada feito.
De maneira genérica, a Casa Branca disse que não aceitava os termos do acordo. Já os persas alegaram que só aceitam o fim permanente da guerra, e não parcial.
Resultado: as ameaças de uns contra os outros só se ampliaram. Trump ameaça fazer um inferno no Irã caso o inimigo não recue. Ameaça também atingir pontes e outras áreas estratégicas.
Os iranianos, por sua vez, mandaram dizer que os norte-americanos podem vir quente que estão fervendo. É o recado embutido na promessa de “retaliação devastadora” contra os vizinhos.
Trump se contenta com a abertura imediata do estreito de Ormuz, por onde passa cerca ce 20% da produção do petróleo mundial. O Irã, que ameaça explodir qualquer embarcação associada aos norte-americanos que por lá passar, pede antes o fim dos embargos.
O presidente dos EUA jura que o Irã não aguenta a pressão por muito tempo. E que as instalações militares do país, já alvejadas, não têm mais o que produzir.
Fosse verdade, os iranianos estariam a essa hora de joelhos, e não negociando os termos da rendição – no caso, o gigante norte-americano.
Só quem tem as costas muito quentes rejeitaria um acordo do tipo, mesmo temporário.
O Irã tem. E há russos e chineses na retaguarda.
Trump não vai admitir nunca que entrou em um atoleiro e não sabe como sair. Tem uma eleição de meio de mandato pela frente e sabe que, quanto mais o tempo passa, mais o conflito corrói a popularidade dele.
No fim de semana, nada menos do que 155 aeronaves foram utilizadas no resgate do piloto de um caça abatido pelos iranianos. Parece uma demonstração de força, mas é prova do esforço – estratégico e financeiro – feito pelos Estados Unidos para conter a desmoralização, como foi no Vietnã.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
