
É #FAKE que vídeo de astronautas na missão Artemis II use efeitos visuais; registro original foi manipulado
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Circulam nas redes sociais posts com um vídeo dos astronautas da Artemis II, missão que iniciou nesta segunda-feira (6) a fase final de sobrevoo ao redor da Lua, em uma entrevista filmada no espaço. As legendas alegam que o registro tem sinais de uso de chroma key (técnica que aplica efeitos visuais em gravações produzidas em estúdio e com “fundo verde”). É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🛑 Como são os posts?
Publicados neste domingo (5) no X, TikTok, Instagram e YouTube, os posts sugerem que uma entrevista dos astronautas a jornalistas, transmitida ao vivo neste sábado (4), teria um indício de que a cena foi filmada em estúdio com o auxílio de tela verde.
Veja três exemplos de legendas: “Olha só a bagunça que os efeitos especiais fizeram. Tudo falso, que porcaria”; “Tela verde??? Isso é na live da Artemis no YouTube”; e “Vi esse vídeo – dá um zoom, cara. Pura palhaçada de tela verde. O mesmo tecido que usam em sets de filmagem. Artemis? Completamente falso. Eles nunca foram lá. Tudo é um circo armado e nós somos os idiotas que pagamos por isso. A verdade está enterrada sob camadas de CGI e mentiras. Acorda, cara”.
O chroma key é um recurso amplamente utilizado em produções audiovisuais, especialmente em cenas com efeitos visuais. O objetivo é gravar com uma tela verde no fundo, de modo que, na edição, o cenário possa ser substituído por qualquer imagem.
O vídeo exibido nos posts é uma filmagem de uma tela de computador que reproduz um trecho da transmissão original. Ele começa mostrando o mascote Rise, a pelúcia que acompanha os tripulantes na missão, flutuando e rodando na frente dos astronautas. Desenhado em formato de Lua e com um boné com um desenho da superfície da Terra, o objeto foi escolhido como indicador de gravidade zero da missão.
Enquanto grava a tela, a pessoa que filma diz, em inglês: “O que está acontecendo com essa letra atrás da bola? Tipo, como assim? Espere, o que é isso?”. Ao girar, o mascote exibe por alguns instantes letras aleatórias no boné. No fim do vídeo, o astronauta canadense Jeremy Hansen puxa o mascote e tenta estabilizá-lo no ar.
Mas os posts são mentirosos. O trecho da entrevista exibido na tela do computador foi manipulado para parecer que houve uma falha no que seria a tela verde. Na transmissão verdadeira, não há qualquer letra sobreposta ao mascote (leia mais abaixo).
⚠️ Por que o post é mentiroso?
O Fato ou Fake consultou a transmissão da entrevista no YouTube da CNN americana e encontrou o material verdadeiro, entre 4:21 e 4:44 – a versão manipulada desse trecho viralizou nos posts mentirosos. Na cena real, não há nenhuma letra exibida no mascote Rise ou qualquer falha. Naquele momento, os astronautas estavam ouvindo a pergunta de um jornalista que queria saber se eles haviam conseguido falar com suas famílias durante a expedição.
O Fato ou Fake também submeteu o trecho a duas ferramentas que detecam uso de inteligência artificial (IA), e nenhuma apontou o uso desse recurso (veja infográficos ao final desta checagem).
Hive Moderation — “O arquivo provavelmente não contém IA ou deepfake”. A ferramenta também indicou 0% de probabilidade do conteúdo ser IA.
SynthID Detector — “Não foi feito com a IA do Google”. Essa plataforma do Google verifica conteúdos criados com a ferramenta de IA da própria companhia. A tecnologia insere uma marca d’água para identificar esse tipo de material. Embora imperceptível para humanos, o “selo” é detectável pelo sistema. Diferentemente de outros modelos que geram deepfakes a partir de vídeos reais, a IA do Google produz cenas hiper-realistas do zero, ou seja, sem a referência de algo verdadeiro publicado anteriormente.
A Artemis II, que decolou na quarta-feira (dia 1º) com previsão de retorno nesta sexta-feira (10), tem sido alvo de publicações enganosas nas redes sociais, assim como ocorreu com a missão Apolo 11, que levou o homem à Lua pela primeira vez, em 1969.
Apesar da existência de registros oficiais (desde a decolagem até o retorno dos astronautas), inúmeras teorias da conspiração alegam que tudo não passou de encenação. Uma pesquisa Datafolha divulgada em fevereiro apontou que 33% dos brasileiros afirmam ser mentira que humanos tenham ido à Lua.
Em reportagem publicada em 2019, o g1 entrevistou especialistas que listaram evidências irrefutáveis de que os astronautas americanos chegaram, sim, ao satélite natural da Terra.
HiveModeration não aponta uso de IA em vídeo de astronautas.
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SynthID não detectou a presença da marca d’água de IAs do Google.
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É #FAKE que vídeo de astronautas na missão Artemis II use efeitos visuais; registro original foi manipulado
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