
Fachada do Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
Campinas (SP) confirmou a morte de dois pacientes internados na área isolada da UTI do Hospital Mário Gatti por contaminação com a bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida pela sigla KPC. Segundo a administração, os pacientes estavam com a bactéria, mas a causa da morte não foi a KPC.
Nome, idade e sexo das vítimas não foram informados. Nesta segunda-feira (6), oito pacientes com KPC permanecem internados na UTI do Hospital Mário Gatti – um que estava isolado em enfermaria foi transferido à unidade de terapia intensiva.
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O fechamento temporário da UTI foi anunciado em 10 de março de 2026 após a identificação de sete pacientes com KPC. Segundo a Rede Mário Gatti, o prazo estimado é de 30 dias, e reformas estão sendo feitos na unidade para reforçar o controle epidemiológico.
De acordo com a Rede Mário Gatti, a equipe já chegou na segunda fase de uma reforma da UTI, sendo que uma primeira parte, com sete leitos, já foi concluída, restando outros 13 leitos.
“Após o término da segunda etapa da reforma, os pacientes que estão na UTI contingencial voltarão para a UTI reformada e os que estiverem com KPC ficarão em leitos isolados. Nesta fase, a unidade voltará a receber novos pacientes”, explicou, em nota.
Família de paciente internada no Hospital Mário Gatti cita risco de contágio por KPC
O que é?
A KPC faz parte de um grupo de bactérias que são resistentes a antibióticos, por isso, é chamada de superbactéria;
O agente infeccioso produz uma enzima que destrói vários antibióticos, medicamentos mais usados em casos de infecções bacterianas;
A superbactéria foi identificada no Brasil no início dos anos 2000; desde então, surtos são registrados de tempos em tempos em unidades de saúde.
Como surge?
Segundo o infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, o surgimento desse tipo de bactéria é uma consequência da utilização de antibióticos potentes no ambiente hospitalar ao longo dos anos.
“Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso elas são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado”, explica.
Cultura da KPC em uma placa de Petri; foto de 2013
Reprodução/EPTV
Quais são os sintomas?
Ainda de acordo com Trabasso, as infecções mais comuns em diagnósticos de KPC são:
infecções de corrente sanguínea (sepse)
pneumonia
infecções do trato respiratório
infecções urinárias, embora menos frequentes
infecções de feridas operatórias
Como prevenir?
A KPC atinge de forma mais frequente pacientes internados que estão com a imunidade debilitada, como em em UTIs, por exemplo.
A transmissão ocorre por meio do contato com os fluidos da pessoa infectada ou por aparelhos de ventilação mecânica, cateteres e sondas;
Se há alguma falha no processo de higiene e desinfecção do ambiente hospitalar, ela pode aparecer e se alastrar de pessoa para pessoa. É a chamada transmissão cruzada;
A infecção fora do ambiente hospitalar também pode ocorrer, mas a incidência é baixa.
O médico infectologista ressalta a necessidade de ter atenção e cuidado, em especial:
para a população em geral: realizar sempre higiene das mãos, seja com água e sabão comum ou com álcool gel, após ter contato com as pessoas.
para os profissionais de saúde: obedecer as regras específicas de higiene e segurança.
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