
Após tanto protagonismo observado nos últimos tempos, nota-se um, movimento de recolhimento, de menor exposição, de baixa atuação midiática do STF, especialmente dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Cada um com suas próprias razões.
Começando pelo fim, Gilmar Mendes é um notório e ferrenho defensor da Corte, em qualquer circunstância. Isso é, ou pode ser, uma qualidade. Pode também ser simples expressão de um espírito de corpo, de um corporativismo por certo pernicioso, afinal, a lei é para todos, já diz o brocardo popular, e o STF deve ser o primeiro a dar o exemplo de que isso é algo de fato valioso e não apenas uma frase de efeito.
Moraes e Toffoli foram tragados de roldão naquela que é chamada já de maior crise do sistema financeiro de todos os tempos, senão pelos valores, pela extensão e envolvimento de servidores públicos de alto quilate, de presidentes e diretores de bancos públicos a ministros da mais alta corte, passando por lobbystas, empresários e outros menos cotados.
Sobre os ombros do todo-poderoso ministro Moraes pesa o contrato firmado entre sua esposa, Viviane Barci, e o Banco Master, envolvendo a elevadíssima cifra de R$ 129 milhões a serem pagos em 36 meses. Já está claro que o dono e controlador do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso, contratou Viviane por ser ela esposa de um ministro da mais alta corte do país.
De fato, Viviane é uma ilustre desconhecida no meio advocatício, não havendo qualquer justificativa plausível para a referida contratação fora do contexto de poder de seu marido. O escritório da advogada em questão correu a justificar os astronômicos valores, “produzindo” pareceres, orientações e outros alegados serviços, mas parece claro que nada disso será suficiente.
Qual a estratégia de Moraes? O silêncio, o recuo, o recolhimento. Certamente é paradoxal, afinal, estamos falando daquele que mandava prender quem fazia “publicações antidemocráticas”, praticava atos de competência da PGR ou da Polícia Federal, e que construiu para si a imagem de “defensor da democracia”.
O poder, contudo, suporta o afastamento até certo ponto. Segue válida a imagem do poder como uma fogueira: muito perto queima, muito longe congela. Quem detém o poder e pretende mantê-lo, deve se fazer relevante, importante, indispensável, o que Moraes por certo já foi e ainda é, mas…até quando? Não se sabe.
Inexistem amizades neste campo. Ninguém irá prestar socorro, auxílio ou apoio a Moraes de forma gratuita. Jamais. Gilmar Mendes o defende porque assim agindo defende a si mesmo e o próprio STF. Sem dúvida o Ministro Alexandre sabe disso tudo. Saber, porém, não garante sucesso numa empreitada qualquer
