
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, cidade do interior paulista, identificaram a presença de doze tipos de antibióticos na água do Rio Piracicaba. Os contaminantes podem causar desequilíbrio ambiental e contribuir para o surgimentos de bactérias resistentes a medicamentos, as chamadas superbactérias.
O estudo analisou amostras de água, sedimentos e peixes coletados na região do reservatório de Barra Bonita, onde se concentra contaminantes vindos de esgoto tratado, resíduos domésticos, piscicultura, criação de suínos e agricultura.
Os responsáveis pelo levantamento são pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena). A pesquisa integra um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agência Internacional de Energia Atômica, com os resultados divulgados em um revista científica internacional.
Ao todo, foram encontrados e monitorados, 12 antibióticos usados com frequência. Durante o período de seca, diferentes substâncias foram encontradas, com concentrações maiores principalmente nos sedimentos do rio.
O destaque da pesquisa foi a detecção do antibiótico cloranfenicol em peixes da espécie lambari. Este medicamento é de uso restrito para humanos e é proibido para animais destinados à alimentação no Brasil.
Superbactérias resistentes a medicamentos
A presença dos antibióticos encontrados na água do rio, podem causar desequilíbrio ambiental e contribuir para o surgimento de bactérias resistentes a medicamentos, as chamadas superbactérias.
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Quando a pessoa fica doente, mas já foi contaminada por uma superbactéria, fica difícil de encontrar medicamentos que funcionem no tratamento deste paciente, muitas vezes levando a morte.
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Os antibióticos também foram encontrados em plantas aquáticas, o que levou os pesquisadores a testarem o potencial dessas espécies para a limpeza da água do rio.
Espécie de planta pode ajudar a limpar o rio
A planta aquática Salvinia auriculata, conhecida como orelha-de-onça, se destacou no experimento e apresentou alta capacidade de absorver os antibióticos presentes na água.
Em laboratório, a planta conseguiu remover mais de 95% da enrofloxacina da água, enquanto a remoção do cloranfenicol variou entre 30% e 45%.
A presença da planta também reduz a absorção de antibióticos pelos peixes, funcionando como uma espécie de filtro natural e ajudando na despoluição da água.
Os resultados preliminares do estudo são considerados promissores pelos pesquisadores e podem contribuir para projetos futuros de remoção de poluentes de rios e melhorias em sistemas de saneamento básico.
