A recuperação judicial no Brasil atingiu o maior nível da série histórica em 2025. Levantamento da Serasa Experian aponta que 2.466 CNPJs estiveram envolvidos em processos de reestruturação ao longo do ano, número 13% superior ao registrado em 2024.
O dado faz parte do relançamento do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da datatech, que passou a utilizar uma metodologia atualizada para medir o impacto desses processos sobre a base empresarial do país.
Com a nova leitura, o indicador passa a diferenciar o número de processos registrados na Justiça do total de empresas envolvidas nas reestruturações, permitindo avaliar não apenas a frequência dos pedidos, mas também o alcance real das dificuldades financeiras no ambiente corporativo.
Nova metodologia amplia a leitura sobre a recuperação judicial no Brasil
A mudança metodológica acompanha a evolução da dinâmica dos processos de recuperação judicial no país. Historicamente, o indicador funcionava como uma fotografia do momento, mas a experiência ao longo do tempo mostrou que a dinâmica das recuperações é mais ativa do que uma visão estática consegue capturar.
Isso ocorre porque agora um único processo pode reunir diversos CNPJs de um mesmo grupo econômico, além de permitir a inclusão de novas empresas ao longo da tramitação judicial. Também há casos que passam por mudanças de fase ou tramitam sob segredo de Justiça, o que exige atualizações retroativas na base de dados.
Com a atualização, os processos passam a indicar o volume de casos na Justiça, enquanto o número de CNPJs permite dimensionar o tamanho real do impacto sobre o tecido empresarial.
Número de processos atinge maior nível desde 2016
Considerando apenas o número de pedidos, o indicador registrou 977 processos de recuperação judicial em 2025, uma alta de 5,5% em relação ao ano anterior. Esse resultado representa o maior volume anual desde 2016.
Ao longo do ano, o número mensal de pedidos permaneceu acima da média histórica, estimada em cerca de 53 processos por mês entre 2012 e 2023.
A mesma tendência aparece na leitura por empresas. O número de CNPJs envolvidos superou repetidamente a média de longo prazo, de 106 empresas por mês.
Agropecuária lidera em recuperação judicial no Brasil
A distribuição por setor mostra mudanças importantes no perfil das empresas que recorrem ao mecanismo de recuperação judicial no Brasil.
Em 2025, a agropecuária respondeu por 30,1% dos CNPJs em recuperação judicial, com 743 empresas, liderando os registros.
Na sequência aparecem:
- Serviços: 30% (739 empresas);
- Comércio: 21,7%;
- Indústria: 18,2%.
O avanço do agro é significativo quando observado ao longo do tempo. Em 2012, o setor representava apenas 1,3% dos pedidos de recuperação judicial.
No mesmo período, a indústria recuou de 34,4% para 18,2%, enquanto o comércio caiu de 31,2% para 21,7%.
Pedidos de falência recuam, mas cenário exige atenção
Enquanto os processos de recuperação judicial avançaram, os pedidos de falência apresentaram queda em 2025. Foram 698 CNPJs com pedidos de falência registrados, uma redução de 19% em relação a 2024.
Na comparação histórica, o volume atual também é menor que o observado no início da série. Em 2012, o indicador registrava 1.810 empresas com pedidos de falência, número 61% superior ao registrado em 2025.
Apesar da queda, a Serasa Experian mantém cautela diante do cenário para os próximos anos.
Especialista alerta para impacto da exclusão de CPFs nos dados do agro
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