
Mais da metade das mulheres no Ceará relatam ter medo de ser estupradas no transporte por aplicativo
JL Rosa
Metade das mulheres no Ceará sente medo de ser estuprada ao se deslocar utilizando transportes por aplicativo, superando a preocupação com assaltos e roubos. Os dados são da pesquisa ‘Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”. O levantamento foi realizado pela Ipsos-Ipec, em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão.
Quando perguntadas sobre medos ao utilizar este tipo de transporte, as mulheres responderam com mais frequência o receio de serem estupr.das Em segundo lugar, aparecem empatados o temor de sofrer assédio sexual ou importunação e o medo de sofrer agressões físicas.
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🔎 A pesquisa entrevistou 2.032 mulheres, com idades a partir dos 16 anos, em 77 cidades do Ceará entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O estudo também revelou que 95% das mulheres entrevistadas relataram ter medo de sofrer algum tipo de violência, incluindo a violência física, psicológica, doméstica e outros tipos. E que o medo mais frequente, entre as cearenses, é o da violência sexual.
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Sensação de insegurança nos deslocamentos
A pesquisa buscou saber quais são os principais medos das mulheres em diversas situações e ambientes. Ao abordar os deslocamentos pelas cidades, as perguntas incluíram as preocupações que elas costumam ter ao usar transportes por aplicativos e o transporte público.
O levantamento perguntou sobre os principais tipos de violência ao utilizar transporte por aplicativos, como Uber, 99 e táxi.
Nas respostas, 50% das entrevistadas afirmaram que têm medo de sofrer estupro nestas situações. O medo do estupro foi o principal tanto entre usuárias como não-usuárias destes serviços: mais da metade das entrevistadas responderam que usam este tipo de transporte (53%).
Medos de violência das mulheres ao utilizar transporte por aplicativos:
50% – Ser estuprada
37% – Assédio sexual ou Importunação
37% – Ser agredida fisicamente
36% – Que o motorista mude de caminho ou de rota sem aviso prévio
35% – Ser assaltada, roubada ou furtada
29% – Ser sequestrada
25% – Assédio moral
10% – Ser julgada pela aparência ou pela forma de se vestir
8% – Sofrer bullying
1% – Nenhuma dessas
1% – Não tem medo de sofrer violência no transporte por aplicativo
3% – Não sabem ou não responderam
O medo de estupro em transportes por aplicativo é maior entre as mulheres mais jovens. Os percentuais foram maiores para entrevistadas entre 16 e 24 anos (64%) e entre 25 e 34 anos (63%). Para mulheres acima dos 60 anos, por exemplo, este percentual é de 30%.
Uso de transporte público
Os resultados entram em contraste com os principais medos relacionados ao uso do transporte público. Nesta situação, o principal temor é de ser assaltada, roubada ou furtada.
Medos de violência das mulheres ao utilizar o transporte público:
59% – Ser assaltada, roubada ou furtada
46% – Assédio sexual ou importunação
46% – Ser estuprada
33% – Ser agredida fisicamente
29% – Ser sequestrada
28% – Assédio moral
14% – Ser julgada pela aparência ou pela forma de se vestir
10% – Sofrer bullying
0% – Nenhuma dessas
2% – Não têm medo de sofrer violência no transporte público
2% – Não sabem ou não responderam
Embora o medo mais frequente nos transportes públicos tenha sido o de ser assaltada, roubada ou furtada no resultado geral, as mulheres mais jovens tiveram percentuais mais altos para as respostas que envolvem algum tipo de violência sexual.
O medo de assédio sexual ou importunação foi maior entre mulheres de 16 a 24 anos (59%) e de 25 a 34 anos (58%). O medo de ser estuprada apareceu em segundo lugar para estas mesmas faixas etárias, com 56% e 54%, respectivamente.
Mais da metade já sofreu violência
Mais da metade das entrevistadas no Ceará relataram já ter sofrido algum tipo de violência
Nino Caré/Pexels
O estudo também perguntou às mulheres se elas já sofreram algum tipo de violência. A resposta foi “sim” para 51% das entrevistadas. Dentre os tipos de violência vivenciados, o mais frequente foi a violência psicológica.
Tipos de violência já vivenciadas pelas mulheres cearenses:
28% – Violência psicológica
16% – Violência física
15% – Violência sexual
11% – Violência doméstica
9% – Violência virtual
6% – Violência patrimonial
8% Violência institucional
3% – Violência policial
48% – Não sofreram nenhum desses tipos de violência
A violência psicológica foi mais prevalente em todas as faixas etárias, sendo maior entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menor entre mulheres acima dos 60 anos (16%).
🔎 Confira outros destaques do levantamento:
40% das mulheres afirmaram que mudam hábitos em suas rotinas por medo ou insegurança por serem mulheres. Na maioria dos casos (68%), elas evitam sair sozinhas de casa, principalmente à noite.
Quando perguntadas sobre ambientes em que se sentem mais seguras como mulheres, a maioria das entrevistadas respondeu que isso acontece em suas próprias casas (83%) e na casa de amigos e parentes (66%).
Por outro lado, os espaços públicos são percebidos como locais mais inseguros: apenas 10% se sentem seguras no transporte público ou enquanto aguardam em pontos de ônibus e terminais. E 13% se sentem seguras em ruas, praças e parques.
Dentre os canais de denúncia e apoio às mulheres, os mais conhecidos são o contato da Polícia Militar (71%), a Delegacia da Mulher (57%) e o Disque 180 (56%).
Para diminuir o medo e a insegurança, a maioria acredita que é necessário aumentar o policiamento nas ruas (56%), aumentar a segurança dentro dos transportes coletivos (36%) e capacitar agentes de polícia para atender casos de violência e assédio contra a mulher (29%).
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