Na gestão de Alexandre Baldy, BYD volta à lista suja do trabalho escravo

BYD TRABALHO ESCRAVO

A inclusão da BYD na atualização da Lista Suja do Trabalho Escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 7 de abril de 2026, recolocou no centro do debate a responsabilidade de grandes empresas sobre sua cadeia produtiva e os padrões de governança exigidos em projetos industriais no país.

A presença da montadora na lista ocorre após a conclusão de processo administrativo conduzido pela fiscalização trabalhista, relacionado às irregularidades identificadas na obra da fábrica da empresa em Camaçari (BA). Segundo o governo, a companhia foi responsabilizada administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, conforme definição prevista no artigo 149 do Código Penal.

A chamada Lista Suja não é uma denúncia ou investigação em curso. O cadastro é divulgado pelo Ministério do Trabalho apenas após o encerramento do processo administrativo, quando já houve lavratura de autos de infração, direito de defesa e decisão final no âmbito do Executivo.

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Foto: Ministério do Trabalho e Emprego

BYD e trabalho escravo: fiscalização encontrou trabalhadores em condições degradantes

O caso teve origem em uma operação de fiscalização realizada em dezembro de 2024, durante as obras da unidade industrial da BYD na Bahia.

Na ocasião, auditores do trabalho identificaram inicialmente 163 trabalhadores chineses em situação irregular. Após o aprofundamento das apurações, o número total chegou a 224 trabalhadores.

Entre as irregularidades apontadas pelas autoridades estão condições degradantes de alojamento, jornadas exaustivas, retenção de passaportes e restrições à liberdade de locomoção.

A fiscalização também identificou contratos com cláusulas que dificultavam o desligamento dos trabalhadores.

Empresa citou terceirização da obra

Após a operação, a BYD afirmou que os trabalhadores estavam vinculados a empresas terceirizadas responsáveis pela execução da obra. O principal grupo citado no episódio foi o Jinjiang Construction Group, empreiteira envolvida na construção da fábrica.

Na ocasião, a montadora informou que rompeu o contrato com a empresa responsável pela obra após as denúncias e afirmou que não tolera violações de direitos trabalhistas.

A companhia também declarou que passou a revisar seus processos internos de contratação e supervisão de fornecedores.

Caso amplia debate sobre governança corporativa

A inclusão da BYD na Lista Suja também expõe uma contradição que vem ganhando espaço no debate sobre ESG. A empresa é uma das principais protagonistas da transição energética global, com forte presença no mercado de veículos elétricos e um discurso alinhado à agenda ambiental.

No entanto, episódios envolvendo irregularidades trabalhistas colocam em xeque outro pilar central desse conceito: a governança. O caso evidencia que avanços no eixo ambiental não substituem a necessidade de padrões consistentes de controle, supervisão e responsabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva, elementos fundamentais para sustentar, na prática, o “G” do ESG.

A BM&C News procurou a BYD para comentar a inclusão da empresa na atualização da Lista Suja do Trabalho Escravo divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mas até o momento da publicação desta matéria, a empresa não havia se manifestado.

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