
Primeiro feminicídio da capital
O homem preso em flagrante pela morte da policial militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, passou por audiência de custódia nesta quarta-feira (8), no fórum de Campo Grande. A Justiça decidiu converter a prisão em flagrante em preventiva, e ele segue detido.
Marlene foi morta a tiros dentro de casa, no bairro Estrela Dalva, na manhã de segunda-feira (6). O principal suspeito é o namorado dela, de 50 anos, que foi preso logo após o crime.
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Durante a audiência, o suspeito manteve a mesma versão apresentada desde o início do caso: a de que a morte teria ocorrido durante uma tentativa de impedir um suicídio.
Segundo o advogado de defesa, Fernando dos Santos Melo, o cliente colaborou com as autoridades desde o início.
Marlene de Brito Rodrigues é a 9ª vitima de feminicídio de 2026 e a primeira de Campo Grande
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“O que temos até agora nos leva a entender, com quase certeza, que houve um caso de suicídio. Ele permaneceu no local, prestou esclarecimentos e assinou todos os termos de cooperação”, afirmou.
Ainda de acordo com a defesa, o homem nega qualquer tentativa de esconder informações e diz estar à disposição da Justiça. “A alegação dele é que tentou impedir, mas não conseguiu”, disse o advogado.
O caso é investigado como feminicídio. A investigação segue em andamento.
Perícias devem ser realizadas para esclarecer a dinâmica do que aconteceu dentro da casa, incluindo análise de celulares e possíveis imagens que, segundo o suspeito, comprovariam a versão dele.
Caso pode ir a júri popular
Preso por morte de mulher mantém versão de suicídio em audiência
David Melo/ TV Morena
De acordo com o advogado, em um primeiro momento, o caso pode seguir para júri popular, como ocorre em crimes contra a vida. No entanto, a defesa acredita que novas provas podem mudar o rumo do processo.
“Tudo ainda será apurado. Teremos perícia, oitivas de testemunhas e análise de documentos. Acreditamos que a verdade dos fatos será esclarecida”, afirmou.
Histórico e relacionamento
Durante a entrevista, o advogado também comentou sobre informações de antecedentes do suspeito, incluindo registros antigos relacionados à violência doméstica. Segundo ele, os fatos são antigos e serão analisados no processo.
A defesa ainda afirmou que o casal enfrentava problemas no relacionamento e que chegou a buscar aconselhamento meses antes do ocorrido.
Agora, o caso segue sob investigação, e a Justiça aguarda os resultados das perícias para definir os próximos passos.
Investigação aponta suspeita de feminicídio
Marlene foi morta dentro da própria casa, no bairro Estrela Dalva. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito é o namorado da vítima, Gilberto Jarson, de 50 anos, preso em flagrante.
As investigações indicam que o casal mantinha um relacionamento havia cerca de um ano e quatro meses e morava junto há dois meses. O suspeito foi encontrado com a arma na mão e alegou que a subtenente teria cometido suicídio, mas apresentou versões contraditórias, o que levou à suspeita de feminicídio.
A delegada Analu Lacerda Ferraz, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), informou que não há registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.
Marlene atuava no Comando-Geral da Polícia Militar, no setor de Ajudância-Geral, e era conhecida entre os colegas.
O subtenente Luiz Antônio de Souza falou sobre a convivência com a policial dentro e fora da corporação.
“É lamentável ver isso acontecer com uma pessoa tão benquista, amiga de todos, dentro e fora da corporação. É algo que nos deixa sem chão. Quem conheceu a Marlene sabe o quanto ela era uma pessoa amada, respeitosa, jamais tratava alguém com rispidez”, disse.
Ele também comentou o impacto social do crime. “Choca ainda mais porque mostra que esse tipo de violência está em todo lugar. Mesmo uma policial treinada pode ser vítima dentro da própria casa. Isso precisa ser tratado com muita seriedade”, afirmou.
Já o subtenente Cícero Barbosa destacou o tempo de serviço da colega, que atuou por quase quatro décadas na segurança pública.
“É um momento muito difícil. A Marlene era uma pessoa trabalhadora, com muitos anos de serviço. Quase toda a corporação a conhecia. É muito triste”, disse.
Em nota, o Comando-Geral da Polícia Militar lamentou a morte da subtenente e prestou solidariedade à família, amigos e colegas. A corporação informou ainda que acompanha o caso e que equipes foram designadas para dar apoio aos familiares.
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do crime.
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