O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), durante audiência na CPI do Crime Organizado, que as decisões tomadas pela autoridade monetária no caso envolvendo o Banco Master buscaram preservar a condução técnica do processo e evitar interpretações de interferência política.
Segundo Galípolo, no momento inicial da investigação, o Banco Central avaliou que a remoção imediata de servidores da área de fiscalização poderia ser interpretada como uma ação política. Por esse motivo, a autarquia decidiu criar um grupo separado de análise para examinar o caso enquanto as apurações avançavam.
De acordo com o presidente do BC, à medida que a investigação evoluiu, os servidores investigados foram afastados das funções. Ele também afirmou que, no início do processo, havia a hipótese de que divergências identificadas nos balanços da instituição pudessem ter origem técnica.
“Caberá à Justiça determinar se eventuais vantagens indevidas influenciaram a atuação de servidores envolvidos no caso”, ressaltou Galípolo..
Galípolo na CPI: BC não identifica culpa de Campos Neto
Durante a audiência, Galípolo também declarou que não há processos de auditoria ou sindicância que atribuam responsabilidade ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no crescimento ou nas fraudes associadas ao Banco Master.
Campos Neto comandou a autoridade monetária entre 2019 e 2024, período em que o banco ampliou suas operações no sistema financeiro.
O ex-presidente do BC chegou a ser convocado para prestar esclarecimentos à comissão, mas não compareceu à audiência.
Transferência de controle do banco
O presidente do Banco Central também relembrou o histórico da autorização para transferência de controle do antigo Banco Máxima, que posteriormente passou a se chamar Banco Master, para o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo ele, o Banco Central negou inicialmente a autorização para a operação em fevereiro de 2019, mas revisou a decisão e aprovou a transferência em outubro do mesmo ano.
No centro das investigações está a atuação do então diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves Souza, que teria sido procurado por Vorcaro para viabilizar a autorização. Souza é suspeito de ter recebido pagamentos para atuar em favor do banqueiro dentro da instituição.
Análises internas e pareceres jurídicos
Galípolo relatou que, em 2023, Campos Neto solicitou à área de fiscalização uma análise sobre os balanços do Banco Master. Posteriormente, no final de 2024, o Banco Central também solicitou pareceres a três escritórios de advocacia para avaliar aspectos jurídicos relacionados ao caso.
As análises fizeram parte do processo de apuração conduzido pela autoridade monetária diante das suspeitas envolvendo a instituição financeira.
Reunião entre Lula e Daniel Vorcaro
Durante a audiência, Galípolo também comentou uma reunião realizada em dezembro de 2024 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Vorcaro.
Segundo ele, na ocasião Lula afirmou que o tema deveria ser tratado tecnicamente pelo Banco Central, sem interferência da Presidência da República.
Ainda de acordo com o relato do presidente do BC, representantes do Banco Master afirmaram ao presidente que enfrentavam dificuldades de captação por suposta perseguição do mercado financeiro. Galípolo afirmou à comissão que essa versão não parecia compatível com o porte da instituição.
Autonomia do Banco Central
Ao longo da audiência, Galípolo reiterou que sempre teve autonomia para conduzir a investigação dentro do Banco Central.
“A orientação recebida foi manter o processo técnico e institucional, sem proteger ou perseguir qualquer pessoa envolvida no caso” destacou.
O presidente do BC também afirmou à comissão que nunca tratou do caso Banco Master com o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, nem com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
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