
O teto máximo de remuneração no serviço público federal, como se sabe, é de R$ 46.366,19.
Esse é o valor recebido mensalmente, por exemplo, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos contracheques, obviamente, podem ser engordados com eventuais penduricalhos, horas-extras e uma ou outra ajuda de custo.
Mesmo com esse salário considerado alto para os padrões do Brasil, caso algum funcionário público, seja ministro do STF ou servidor de alguma outra área, como o Legislativo, se traçasse uma meta para chegar ao final da sua carreira no serviço público com uma poupança de R$ 80 milhões, poderia ser chamado de louco ou mal-intencionado.
Pois, na hipótese dele ter somente esse provento para viver, levaria, no mínimo, 144 anos para juntar tal quantia, equivalente a um prêmio acumulado da Mega-Sena.
Esse quase século e meio de poupança, somente seria alcançado na hipótese de o servidor poupador não gastar nenhum centavo do seu salário, o que, convenhamos, seria bem improvável de ocorrer.
Até porque, sem ter outro rendimento, não fosse a dificuldade para não se gastar nada, ele teria ainda que viver pelo menos uns 180 anos.
No entanto, se fizermos um cálculo mais realista, imaginando que ele direcionasse 30% da sua remuneração total para uma aplicação que oferecesse as melhores taxas do mercado, o prazo para acumular os R$ 80 milhões mudaria muito.
Ele passaria dos 144 anos para 480 anos.
Essa conta simplista serve para mostrar o quanto é difícil para um servidor público no topo da carreira do funcionalismo federal ou até mesmo para um profissional qualificado da iniciativa privada, poupar um dinheiro desse tamanho.
A não ser que antes de ingressar no serviço público, ele já fosse dono de um patrimônio na casa dos milhões de reais, originário de sua família, ou ter obtido lucros milionários com negócios particulares, também anteriores à sua opção para se dedicar ao Estado brasileiro.
O ministro do STF Alexandre de Moraes só é citado nesse artigo como exemplo, em razão dos dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado.
De acordo com eles, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, pagou R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, entre 2024 e 2025.
Convenhamos que com esse tipo de atalho, ninguém pode duvidar que, sim, é possível acumular R$ 80 milhões em muito menos tempo, sem gastar nada e oferecendo tão somente serviços de advocacia.
No caso em pauta, serviços esses, pelo que se lê na imprensa, aqui e ali, no mínimo questionáveis.
