Apreensões revelam que criação ilegal de pássaros ainda é comum no Amazonas


Quase 400 animais silvestres foram resgatados no AM em 2025.
A criação ilegal de pássaros ainda é uma prática comum no Amazonas, segundo dados do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Entre 1º de janeiro e 30 de março de 2026, o estado registrou 194 ocorrências de apreensão de animais silvestres — a maioria eram aves, de acordo com o órgão.
Entre os animais apreendidos estão pássaros, répteis e mamíferos, com destaque para espécies como periquito-asa-branca, periquitão-maracanã, papagaios, jabuti-piranga, iguanas, jiboias e até primatas, como o mico-de-cheiro. Também foram registrados casos envolvendo jacarés, tucanos, preguiças e cutias.
Segundo ele, espécies como papagaios e periquitos são as mais procuradas. “As pessoas possuem mais aves para criar em cativeiro. Papagaios, periquitos e outras espécies são muito procuradas, então a incidência de posse ilegal acaba sendo maior nesses casos”, disse.
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Entre as situações mais recorrentes identificadas pelo órgão estão a venda ilegal de animais, inclusive para consumo, como quelônios, e a criação irregular dentro de residências.
A bióloga Bruna Silva, mestre em Zoologia e cofundadora do projeto Vem Passarinhar Manaus, explica que a prática está ligada à relação histórica da população com a floresta.
“Ao ficar mais perto da natureza, contempla-se os elementos nela presentes e, às vezes, essa contemplação não para só no visual, mas as pessoas querem trazer pra perto, tocar, cuidar. Isso é passado de geração em geração. Ainda nos dias de hoje é comum haver criação não só de pássaros, mas de outros animais silvestres por conta desses costumes repassados.”
Aves fora capturadas ilegalmente em Iranduba.
Divulgação/Ipaam
A retirada de aves da natureza provoca efeitos diretos no equilíbrio ambiental. Segundo Bruna, a ausência desses animais afeta toda a cadeia ecológica.
“Têm aves no papel de presa, têm aves no papel de predadoras. Se falta presa, falta alimento, e as rapinas, por exemplo, passam mais fome, não se desenvolvem e podem até morrer, além de resultar na perda de diversidade de espécies de uma região. A perda de grupos de aves já é descrita como um dos maiores impactos nos ecossistemas.”
Ela também destaca que as aves exercem funções essenciais na natureza.
“As aves prestam o que chamamos de serviços ecossistêmicos. São responsáveis por dispersão de sementes, polinização e controle de populações. Então retirar esses indivíduos é causar um grande desequilíbrio. A natureza é como uma repartição: cada um tem sua função, e quando um não está presente, pode afetar todo o resto.”
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Animais nem sempre voltam à natureza
Após a apreensão, os animais são destinados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passam por avaliação para verificar a possibilidade de retorno à natureza ou encaminhamento para instituições autorizadas, como zoológicos e criadouros legalizados. No entanto, nem todos conseguem ser reintroduzidos no habitat natural.
“Animais que foram domesticados dificilmente conseguem voltar para a natureza. Já aqueles que não tiveram contato prolongado com humanos ainda podem ser recuperados”, explicou Eduardo.
Segundo Bruna, a reintrodução depende do estado de saúde do animal.
“A reintrodução de aves é possível quando esta é levada até um local adequado para essa reabilitação, como os Cetas. Se o estado de saúde dela não for grave, e ela se recuperar, há todo um protocolo para reintrodução no habitat.”
Orientação é não criar animais silvestres
O Ipaam alerta que a criação irregular também pode trazer riscos à saúde, devido à transmissão de doenças.
“Alguns animais podem transmitir zoonoses. Quando são mantidos de forma irregular, acabam expondo a população a esses riscos”, disse Eduardo.
A orientação, segundo especialistas, é não criar animais silvestres.
“A orientação geral é que não se criem animais silvestres. Mas, caso haja uma vontade de criar, é imprescindível que seja por meios legais, através de criatórios legalizados”, destacou Bruna Silva.
O órgão também orienta que pessoas que mantêm animais de forma ilegal façam a entrega voluntária. Nesses casos, não há aplicação de penalidades.
As denúncias podem ser feitas por meio das redes sociais do instituto ou pelo telefone (92) 2123-6715. Para resgate de fauna, os contatos são (92) 98438-7964 e 2123-6739.
Ave silvestre.
Polícia Militar Ambiental
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