
Um dia depois de um bombardeio que matou mais de 300 pessoas no Líbano, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que quer abrir negociação direta com o país vizinho.
A ideia, segundo ele, é sentar à mesa para tratar de dois pontos: o desarmamento do Hezbollah e algum tipo de acordo entre os dois lados.
A fala chama atenção pelo momento. Ela vem logo após uma das ofensivas mais pesadas das últimas semanas, desde o início da guerra que ainda envolve Estados Unidos e Irã (que nesse momento estão em cessar-fogo de duas semanas) com ataques concentrados em diferentes regiões do território libanês.
Do outro lado, o discurso já vinha apontando nessa direção. Pouco antes, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que a única saída passa por um cessar-fogo seguido de negociação direta com Israel.
Ele disse que há contatos em andamento e que a proposta começa a ganhar espaço fora da região.
Até aqui, porém, não houve resposta formal do governo libanês à sinalização feita por Netanyahu.
Entre ataques e negociação
O anúncio acontece em meio a um cenário ainda instável. A ofensiva recente mudou o clima e colocou pressão sobre qualquer tentativa de diálogo.
Nos bastidores, autoridades do Líbano tentam abrir uma negociação paralela com Israel, inspirada no modelo usado na trégua entre Estados Unidos e Irã.
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A avaliação é de que esse tipo de acordo, mesmo temporário, poderia abrir caminho para conversas mais amplas.
Mas o próprio contexto joga contra. Os ataques continuam, e isso reduz o espaço para avanço rápido.
Guerra segue sem pausa
Os confrontos com o Hezbollah ganharam força no início de março, quando o grupo passou a lançar foguetes e drones contra Israel.
A reação veio com bombardeios que atingiram várias áreas do Líbano, incluindo regiões próximas a Beirute e o Vale do Bekaa.
Desde então, o número de mortos já ultrapassa 1.700, segundo autoridades libanesas. Mais de um milhão de pessoas deixaram suas casas.
Mesmo com a sinalização de negociação, o cenário ainda é de conflito aberto.
Não há indicação de que os ataques vão parar no curto prazo, e, por enquanto, a conversa anunciada fica mais como intenção do que como acordo em andamento.
Na quarta-feira (08), um dia após o início do cessar-fogo com os Estados Unidos, o Irã disse que se o Líbano voltasse a ser atacado por Israel poderia fechar o Estreito de Ormuz, um dos pontos que se tornou central durante o conflito.
Com isso, Donald Trump publicou nesta quinta-feira (09) que caso o acordo não seja comprido na totalidade, que o ataque ao Irã será “maior, melhor e mais forte”.
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