
Manifestantes bloqueiam, desde terça-feira (07), o acesso ao aeroporto de Dublin e diversas estradas na Irlanda, em protesto contra o aumento dos combustíveis. As informações são da BBC.
A alta acontece devido ao conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
As ações incluem caminhões andando devagar para travar o trânsito e bloqueios em locais de distribuição de combustível. Diante da situação, o governo acionou o exército nesta quinta-feira (09) para liberar as vias e manter serviços essenciais, enquanto classifica os atos como ilegais.
Pelo terceiro dia seguido, o trânsito foi prejudicado em várias regiões. Na rodovia M50, em Dublin, passageiros chegaram a caminhar com malas até o aeroporto. A orientação foi chegar mais cedo para não perder voos.
A associação Combustíveis para a Irlanda informou que cerca de 100 postos já ficaram sem combustível, principalmente no sul e no oeste do país. O diretor-executivo Kevin McPartlin afirmou que esse número pode aumentar rapidamente e que parte do abastecimento está parada por causa dos bloqueios.
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Alta nos preços afetam serviços essenciais
Estradas e rodovias foram bloqueadas em várias regiões, além de pontos de combustível em cidades como Cork, Limerick e Galway. O grupo de emergência do país informou que, apesar dos problemas, o abastecimento ainda se mantém estável.
Mesmo assim, há preocupação com o acesso de veículos de emergência ao combustível, e pacientes já estão perdendo consultas médicas. O serviço de saúde pediu que os acessos a hospitais não sejam bloqueados.
O aumento nos preços está ligado à crise no Oriente Médio, que afetou cerca de 20% do comércio mundial de petróleo após o fechamento de uma rota importante de transporte.
Na Irlanda, segundo a BBC, o diesel subiu de cerca de 1,70 euro por litro (aproximadamente R$ 10,13) para 2,17 euros (cerca de R$ 12,93) nas últimas semanas. A gasolina também ficou mais cara, com aumento de até 0,25 euro por litro (aproximadamente R$ 1,49) em muitos postos.
Autoridades criticam os bloqueios
Autoridades do governo devem se reunir com entidades do setor para discutir a situação, mas os manifestantes não foram convidados. O objetivo, segundo o governo, é continuar conversas iniciadas anteriormente.
O ministro da Justiça, Jim O’Callaghan, disse que os protestos podem trazer consequências legais. Ele afirmou que motoristas envolvidos podem ter a habilitação afetada e que o seguro dos veículos pode perder a validade caso participem dos bloqueios.
O primeiro-ministro Micheál Martin afirmou que a população quer uma solução rápida e que o governo fará o possível para manter a economia funcionando. Ele classificou os bloqueios como uma forma “injusta” de protesto e disse que é “inaceitável” dificultar o acesso a combustível e água.
A ministra da Defesa, Helen McEntee, declarou que algumas ações já podem ser consideradas crime. Segundo ela, há pessoas com preocupações legítimas, mas quem impede o acesso a serviços básicos precisa interromper os atos.
