A senadora Tereza Cristina era a candidata ideal a vice de Flávio Bolsonaro: empresária e vinda do agronegócio. Mas, nesta semana, ela deixou bem claro que não se interessa pela candidatura.
“Não sou candidata a vice-presidente e [isso] não cabe em meus projetos”, disse ela ao jornal “O Estado de S. Paulo”.
O comando da campanha bolsonarista, mesmo com essa negativa, continua em busca de uma mulher para o posto. Uma das cogitadas é a deputada Simone Marquetto, ex-prefeita de Itapetininga, em São Paulo.
Jornalista, ela chegou à Câmara em 2023 e colaborou na equipe de transição do governo Tarcísio de Freitas na área social. Entre suas propostas de campanha estão projetos voltados a jovens egressos de abrigos e medidas de segurança escolar. Tem perfil religioso.
Entre os assessores de Flávio, no entanto, também existem os que defendem a escolha do ex-governador Romeu Zema compor como vice a chapa presidencial, um nome com bastante trânsito dentro do PL. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, costuma desempenhar papel decisivo em disputas nacionais e a presença de um ex-governador bem avaliado ampliaria a competitividade da candidatura (os pontos altos de avaliação seriam a estabilidade fiscal e estímulo ao ambiente de negócios).
Esse capital político é visto como um ativo que poderia fortalecer a chapa em regiões estratégicas e aproximar segmentos empresariais que valorizam previsibilidade econômica. A articulação tem apoio de Jair Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto, que buscam apresentar uma frente unificada da direita já no primeiro turno, reduzindo dispersões e consolidando palanques estaduais.
Apesar do interesse do PL, a resistência de Zema é um fator central nas negociações. Em declarações recentes, o ex-governador afirmou não ter intenção de assumir o posto de vice, mantendo o foco em sua própria pré-candidatura ao Planalto. Essa postura cria incertezas e prolonga as conversas internas, abrindo espaço para disputas entre grupos que defendem caminhos distintos para a direita em 2026.
A composição com Zema, porém, também enfrenta resistências dentro do próprio campo bolsonarista. Setores mais radicais consideram o ex-governador distante do núcleo ideológico da família Bolsonaro e avaliam que sua ênfase em temas econômicos não dialoga com pautas culturais e religiosas que mobilizam bases evangélicas e rurais. Há receio de que essa distância gere ruídos na comunicação com segmentos que valorizam alinhamento total com o discurso conservador.
Em comparação com Zema, Simone Marquetto tem grande potencial no mundo digital, um instrumento para ampliar capilaridade da chapa, reforçar a interlocução com eleitorados urbanos e aproximar a campanha de agendas sociais e de juventude. Sua atuação em frentes parlamentares religiosas abre também portas importantes com lideranças católicas que compõem parte do eleitorado conservador.
A indefinição prolongada sobre o vice tem causado incômodo entre aliados e expõe a dificuldade do PL em construir uma estratégia coesa para a campanha. A demora alimenta especulações, fragiliza a narrativa de unidade e transmite a impressão de que o partido ainda não conseguiu alinhar expectativas internas. Enquanto o comando da campanha tenta equilibrar interesses regionais e disputas de influência, cresce a pressão por uma decisão que dê rumo claro à chapa e permita organizar palanques estaduais sem novos ruídos. A escolha, quando vier, será interpretada como um teste da capacidade do partido de coordenar suas próprias forças antes de enfrentar a disputa nacional.
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