Artemis II retorna da Lua a 40.000 km/h e enfrenta temperaturas de 2.760 °C na reentrada mais aguardada desde o programa Apollo

Cinquenta anos depois do programa Apollo, quatro astronautas voltaram de uma trajetória ao redor da Lua e encararam o momento mais temido de toda a missão: a reentrada na atmosfera terrestre. Em 10 de abril de 2026, a cápsula Orion da Artemis II mergulhou na atmosfera a 40.000 km/h, exposta a temperaturas externas de 2.760 °C, num processo que durou minutos e definiu o sucesso de toda a operação.

O que foi a Artemis II e por que a missão é histórica?

Lançada em 1º de abril de 2026, a Artemis II foi a primeira missão tripulada em direção à órbita lunar desde o programa Apollo, mais de 50 anos atrás. A bordo da cápsula Orion, apelidada de Integrity pela tripulação, quatro astronautas completaram uma trajetória de dez dias ao redor da Lua antes de iniciar o retorno à Terra.

A missão representa o primeiro passo concreto do retorno humano à Lua pelo programa Artemis da NASA, que tem como horizonte de longo prazo as primeiras missões tripuladas a Marte. Nenhuma outra agência espacial havia levado astronautas a essa distância da Terra no intervalo entre o último Apollo e o lançamento da Artemis II.

Nenhuma outra agência espacial havia levado astronautas a essa distância da Terra no intervalo entre o último Apollo e o lançamento da Artemis II

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Como a Artemis II atingiu 40.000 km/h na reentrada atmosférica?

A reentrada começa quando a cápsula Orion atinge a atmosfera superior a cerca de 120 km de altitude, sobre o Oceano Pacífico, viajando a aproximadamente 40.000 km/h. Nessa velocidade, a espaçonave percorreria a distância de Los Angeles a Nova York em menos de seis minutos.

O atrito com as moléculas do ar comprime o gás à frente da cápsula com tamanha violência que ele se ioniza, gerando temperaturas externas que chegam a 2.760 °C, metade da temperatura da superfície visível do Sol. É esse plasma incandescente que torna a reentrada a fase mais crítica e tecnicamente exigente de qualquer missão tripulada de retorno.

Como funciona o escudo térmico da Orion que protegeu a tripulação?

O escudo térmico da Orion é feito de Avcoat, um material ablativo que se carboniza e erode controladamente durante a descida, dissipando o calor antes que ele alcance a estrutura da cápsula e a tripulação. Com 5 metros de diâmetro, é o maior já construído para uma cápsula tripulada americana.

Segundo a NASA, após a missão Artemis I em 2022, engenheiros identificaram danos inesperados no escudo, abrindo uma investigação que durou mais de dois anos. Entre os problemas identificados estavam:

  • Erosão irregular do material Avcoat em regiões específicas do escudo
  • Carbonização mais intensa do que o previsto nos modelos computacionais originais
  • Necessidade de revisão da trajetória de reentrada para reduzir os riscos à tripulação
Com 5 metros de diâmetro, é o maior já construído para uma cápsula tripulada americana

O que foi o blackout de comunicações durante a reentrada da Artemis II?

Durante a fase mais intensa do atrito atmosférico, a cápsula Orion atravessa um blackout de comunicações: o plasma ionizado ao redor da espaçonave bloqueia completamente os sinais de rádio por alguns minutos. Nesse intervalo, não há contato possível entre a tripulação e o controle em terra.

A trajetória de descida segue um corredor de entrada extremamente estreito. Segundo especialistas ouvidos pela ABC News, um ângulo muito raso faz a espaçonave saltar para fora da atmosfera, enquanto um ângulo muito íngreme provoca superaquecimento ou desaceleração abrupta demais. A margem de erro é mínima e não admite correções durante o blackout.

A margem de erro é mínima e não admite correções durante o blackout

Por que a NASA alterou a trajetória de reentrada da Artemis II?

A solução adotada para a Artemis II foi alterar a trajetória de reentrada para um mergulho direto e mais íngreme, abandonando a manobra de duplo salto (skip reentry) originalmente planejada. A mudança gera aquecimento mais intenso, mas produz um perfil térmico mais controlável pelo material Avcoat do escudo.

A decisão foi tomada após análise dos dados da Artemis I e representou uma alteração significativa no planejamento original da missão. O novo perfil de reentrada foi validado em simulações e aprovado antes do lançamento em 1º de abril de 2026.

Como a cápsula Orion desacelerou de 40.000 km/h até a amerissagem?

Após o pico de aquecimento, a cápsula Orion desacelerou progressivamente por meio de uma sequência de oito paraquedas que se abrem em fases. Para acompanhar a reentrada em tempo real, o canal Profundo Espaço, com mais de 1,32 mil inscritos, transmitiu ao vivo o momento histórico do retorno da Artemis II à atmosfera terrestre:

A sequência de abertura dos paraquedas segue uma ordem precisa:

  • Dois paraquedas-piloto, que estabilizam a cápsula e acionam os estágios seguintes
  • Três drogue chutes, responsáveis pela desaceleração intermediária
  • Três grandes paraquedas principais, que reduzem a velocidade de cerca de 480 km/h para 27 km/h antes do toque na água

A Artemis II e o que vem depois no programa lunar da NASA

A amerissagem da Artemis II no Oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia, com equipes de recuperação da Marinha americana posicionadas na região, encerrou a missão mais aguardada da exploração espacial desde o Apollo 17 em 1972. A reentrada bem-sucedida validou o sistema de proteção térmica e a nova trajetória de descida para as missões seguintes.

O programa Artemis prevê como próximo passo uma missão de pouso lunar tripulado, usando a mesma cápsula Orion e o foguete SLS que levaram a tripulação da Artemis II ao redor da Lua. O que parecia ficção científica há uma década voltou a ser, em abril de 2026, engenharia aplicada.

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