
GCM mata entregador de pizza em São Paulo
O guarda civil metropolitano que matou um entregador a tiros na Zona Sul de São Paulo, na sexta-feira (11), já havia respondido a outros processos na Justiça, incluindo uma prisão em flagrante por tentativa de homicídio, em 2003.
Douglas Renato Scheefer Zwarg, de 39 anos, foi baleado enquanto pedalava uma bicicleta elétrica após um dia de trabalho. Segundo a família, ele voltava para casa com uma pizza que levaria para jantar com a esposa e os filhos.
O subinspetor Reginaldo Alves Feitosa chegou a ser preso em flagrante, mas pagou fiança de R$ 2 mil e foi solto. Ele já respondeu a um processo por tentativa de homícido em 2003 (leia mais abaixo).
De acordo com o boletim de ocorrência, guardas foram acionados por um vigilante para apurar relatos de furtos cometidos por ciclistas na região. Durante o patrulhamento, os agentes disseram ter suspeitado de Douglas por ele estar encapuzado e porque duas mulheres pareciam fugir dele.
O entregador Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos, morreu após ser baleado pela GCM. Ele deixou três filhos.
Reprodução
Ainda segundo o relato dos GCMs, o entregador teria se desequilibrado, colidido com a viatura e caído. Nesse momento, o subinspetor Reginaldo Alves Feitosa afirmou que houve um disparo acidental da arma.
A versão, no entanto, é contestada pela família. “Eu não vejo um disparo acidental. Um profissional treinado não pode cometer esse tipo de erro”, afirmou a madrasta da esposa da vítima.
Douglas deixa três filhos: duas filhas, de 18 e 10 anos, e um bebê de 4 meses. De acordo com a família, ele trabalhava em dois empregos, era um pai presente e não tinha antecedentes criminais.
Histórico do GCM
O subinspetor que efetuou o disparo já teve outras passagens pela polícia. Em 2003, ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio, mas respondeu ao processo em liberdade.
Em 2009, também respondeu a um processo no Juizado Especial Criminal e foi investigado por constrangimento ilegal, abuso de autoridade e discriminação contra pessoa idosa.
Todos os casos foram arquivados.
Além disso, segundo registros oficiais, ele recebeu uma repreensão disciplinar 11 dias antes da ocorrência.
Prisão e investigação
O delegado responsável pelo caso afirmou que a conduta do agente indica imprudência e imperícia no manuseio da arma, especialmente em uma situação de estresse.
O caso foi registrado como homicídio culposo — quando não há intenção de matar. O GCM foi preso, mas liberado após pagar fiança de R$ 2 mil.
A polícia busca imagens de câmeras de segurança da região para esclarecer a dinâmica da ocorrência. Guardas civis metropolitanos de São Paulo não utilizam câmeras corporais.
Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou que o agente foi afastado das funções operacionais e que a Corregedoria da GCM instaurou procedimento para apurar o caso.
A Polícia Civil também investiga as circunstâncias da morte.
