Último criadouro de macacos-prego do Brasil é fechado por maus-tratos: ‘Manejo era feito na base do terror’


Ibama flagra macacos em situação de maus-tratos em criadouro de Xanxerê, SC
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou por maus-tratos o último criadouro de macacos-prego do Brasil. O estabelecimento ficava em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina.
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A ação foi concluída nesta semana e divulgada na sexta-feira (10). Os animais foram encontrados desnutridos, estressados e sem acesso à luz solar. Além disso, os filhotes eram separados das mães de forma precoce, conforme o Ibama.
No estabelecimento, os macacos-prego eram criados e vendidos. Além dessa espécie, eram comercializados saguis e outros animais brasileiros. O criadouro funcionou por força de liminar judicial por mais de uma década.
Do local, já haviam sido retirados 167 animais, sendo 126 aves e 41 primatas, os quais foram levados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, Lorena (SP) e Porto Alegre, no ano passado.
Dessa vez, para a retirada dos 26 macacos-prego restantes, foi necessária a expedição de mandado judicial para ingresso na propriedade, já que o proprietário promovia obstáculos às equipes de fiscalização, de acordo com o Ibama.
Macacos-prego filhotes eram separados das mães precocemente e deixados em gaiolas pequenas em criadouro em Xanxerê
Reprodução/Ibama
Macacos eram tratados como mercadorias, segundo fiscal
Uma das fiscais envolvidas na apreensão dos macacos, que não teve a identidade revelada pelo Ibama, relatou a forma como eles eram cuidados.
“O criadouro funcionava apenas para a reprodução dessas espécies, visando o lucro com a exploração desses animais, tratando-os como meras mercadorias”.
Durante a vigência da liminar que permitiu o funcionamento do criadouro de 2013 a 2024, o estabelecimento declarou a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis.
Com a cassação da liminar, o Ibama iniciou, em 2024, o processo de desativação do criadouro, onde foram constatadas graves irregularidades, incluindo situações de maus-tratos como:
gaiolas pequenas, que não permitiam movimentos básicos, como a escalada
desnutrição
estresse crônico
privação de luz solar
separação precoce entre mães e filhotes
“Esses macacos apresentavam alto grau de comportamento típico de estresse, de cativeiro inadequado. O manejo desses animais era feito na base do terror, com jatos d’água de alta pressão. Todos tinham sintomas de aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado”, relatou a fiscal.
Segundo ela, o estresse era tão elevado, que eles já não desenvolviam mais os comportamentos esperados para a espécie, como a estruturação hierárquica de grupos.
Criadouro de macacos-prego é desativado em SC
Vida nova em ambiente amplo
Com o resgate, os macacos-prego foram levados a uma instituição especializada em reabilitação de animais. Nesse local, são oferecidos espaços amplos com terra, vegetação e estrutura para escalada.
Além disso, os animais recebem os nutrientes e exercícios necessários para o restabelecimento das condições de saúde, para que possam voltar a se comportar como o esperado para a espécie.
“Daqui pra frente, no novo lar, eles terão a oportunidade de compor bandos e viver socialmente, o que é fundamental para qualquer primata”, disse a fiscal.
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Macacos-prego foram encaminhados para reabilitação
Ibama/Divulgação
Domesticação de primatas não é recomendada
A criação de macacos-prego como animais de estimação não é recomendada pelos órgãos ambientais por causa da inadequação ao ambiente doméstico.
Isso compromete os comportamentos naturais e frequentemente resulta em manejo abusivo, maus-tratos e riscos sanitários relevantes.
A ação teve apoio logístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para encaminhar os animais para a reabilitação. A operação contou ainda com o apoio do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), da Polícia Militar Ambiental e de outras instituições parceiras.
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