Governador de RR é apontado pela PF como chefe operacional de esquema de fraudes em licitações


Edilson Damião, novo governador de Roraima.
Reprodução/Nonato Sousa/Ale-RR
O governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), é apontado pela Polícia Federal (PF) como chefe do “braço operacional” de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos. O g1 teve acesso ao inquérito nesta segunda-feira (13).
As investigações começaram em janeiro de 2026, quando a PF prendeu o empresário Clóvis Braz Pedra, a assistente administrativa Ana Clara Araújo Cruz de Oliveira e o capitão da Polícia Militar Marcos Holanda Farias, em Boa Vista, suspeitos de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
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Procurado pelo g1, o Governo do Estado informou que “não possui conhecimento sobre a suposta investigação” e ainda não houve nenhum comunicado ao governo sobre o processo.
Após as prisões, a PF apreendeu celulares dos investigados. Na análise do material, os investigadores identificaram um esquema de fraudes em licitações na Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf), com participação de integrantes do alto escalão do governo estadual. Na época, Edilson Damião era secretário titular da pasta e vice-governador de Roraima.
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Segundo a PF, ele teria usado o cargo de secretário para viabilizar o esquema de diferentes formas:
Direcionamento de licitações: favorecimento de empresas específicas na Seinf, como a C B Pedra Serviços e Construções Ltda, do empresário Clóvis Braz;
Licitações presenciais: determinação de que grandes contratos fossem feitos de forma presencial, contrariando o pregão eletrônico, o que teria restringido a concorrência. Segundo a PF, a medida buscava favorecer grupos específicos;
Antecipação de resultados: envio ao empresário de uma planilha de emendas parlamentares com nomes de empresários que venceriam licitações, escritos à mão, antes da publicação dos editais.
O relatório também aponta uma relação próxima entre Edilson e o empresário Clóvis, com encontros e negociações diretas. Em um áudio citado pela PF, Clóvis se refere à empresa como “nossa” ao cobrar pagamentos, o que, segundo os investigadores, pode indicar possível benefício mútuo.
De acordo com a PF, enquanto Edilson atuava no braço operacional do esquema, o ex-chefe da Casa Civil Disney Barreto Mesquita seria o responsável pelo “braço financeiro”, atuando como elo entre os envolvidos e pela lavagem do dinheiro por meio de uma rede de empresas.
Essa rede incluiria postos de combustíveis, hotéis e outras empresas usadas para ocultar recursos desviados da Seinf.
A reportagem também procurou o empresário e o ex-chefe da Casa Civil, e aguarda o retorno.
Relação ‘pessoal e intimista’
A PF aponta que a relação entre Edilson Damião e o empresário Clóvis Braz era pessoal e intimista, com contato frequente e informal. Segundo o inquérito, eles mantinham conversas por mensagens de forma “críptica e difusa”, geralmente seguidas por ligações telefônicas cujos registros eram apagados para evitar rastros.
O empresário Clóvis é dono da C B Pedra Serviços e Construções Ltda, conhecida como Rodoplacas, que mantém contratos com a Seinf. Segundo a investigação, a secretaria é a principal fonte de faturamento da empresa, com pagamentos que somam R$ 162,96 milhões entre 2021 e 2025.
Em um dos casos citados, Edilson teria prometido uma licitação a Clóvis, que acabou sendo vencida por outro empreendimento. Segundo a PF, a empresa vencedora era controlada ocultamente pelo empresário.
Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal solicitou o envio do caso ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), que passou a supervisionar a investigação devido ao foro por prerrogativa de função do então governador.
🔎 O foro por prerrogativa de função, conhecido como “foro privilegiado”, determina que autoridades sejam julgadas por tribunais superiores.
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