A última pesquisa Datafolha mostrou que a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ampla, geral e irrestrita. O empate técnico que havia com o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno se estendeu a outros dois candidatos de oposição, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Isso significa que uma parcela expressiva da população está disposta a tirar Lula do Planalto, não importa exatamente quem seja o oponente.
Hoje, por herdar o voto bolsonarista em sua totalidade, o senador Flávio seria o principal nome que reúne condições para estar na etapa final das eleições com o presidente. Não é por outra razão que o PT destinou recentemente pouco menos de R$ 400.000,00 para impulsionar vídeos com ataques a Flávio Bolsonaro, taxando-o de “traidor da pátria”, ligando-o ao Banco Master e dizendo que ele iria acabar com o Pix (lançado ironicamente durante o governo do pai dele).
Depois da pesquisa divulgada no final de semana, porém, o PT deveria separar ainda mais dinheiro e distribuir os ataques. Com uma rejeição crescente, Lula já é superado numericamente por Flávio em praticamente todas as pesquisas. É uma questão de tempo para que Zema e Caiado, quando testados em um cenário de segundo turno, subam também nas enquetes de segundo turno.
Muitos petistas estão preocupados com o marketing de seu candidato e pressionando o ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, a turbinar os feitos governistas junto à população. Neste ponto, em especial, há um problema: o ministro não é exatamente um gênio das campanhas políticas, como João Santana e Duda Mendonça. Trata-se de um bom profissional, mas dificilmente tirará coelhos da cartola para reverter uma situação desfavorável.
Outra questão importante, ignorada pelos petistas, é o candidato em si: Lula passa uma imagem ultrapassada. Trata-se de um político que não fala mais a linguagem do povo e principalmente a dos jovens. Para piorar, candidato de 2026 é diferente daquele de 2002, que buscava seduzir o eleitor. O de agora utiliza um tom raivoso e se mostra injustiçado em seus discursos.
Ao optar por não ter um telefone celular para falar diretamente com o eleitor ou utilizar o aparelhinho para ter uma ideia do que pensam os brasileiros sobre as coisas de maneira geral (não apenas sobre o governo), Lula criou um abismo entre ele e o eleitorado. Além disso, não tem a menor ideia de que tipo de vídeo pode viralizar positivamente junto ao público.
Comparemos as recentes incursões de Lula e de Flávio nas redes sociais. O presidente postou um almoço de domingo no qual estava saboreando uma carne de paca – o suficiente para gerar inúmeras críticas. Já Flávio publicou um vídeo com o ex-governador Romeu Zema. Nesta interação, Zema diz, em tom de brincadeira, que havia convidado o senador a ser vice em sua chapa (algo improvável). Flávio, com um jeito maroto, usa um bordão das redes sociais, respondendo: “Será?”. A brincadeira de Zema e Flávio viralizou de forma positiva. Já a de Lula (com a primeira-dama Rosângela) foi bombardeada pelos internautas.
Décadas atras, no intervalo de um evento da revista EXAME, no clube Monte Líbano, um grupo de jornalistas conversava informalmente com o publicitário Nizan Guanaes. Naquela época, ele havia lançado uma campanha de grande sucesso para um refrigerante da Antarctica, um comercial que ficou famoso como “pipoca com guaraná”. Perguntei a Nizan se a iniciativa teria o mesmo sucesso se fosse com o guaraná da Brahma, que era doce ao extremo e com um sabor inferior ao do Antarctica. Nizan respondeu com a sagacidade de sempre: “Sou publicitário, não milagreiro”. Detalhe: o refrigerante da Brahma seria descontinuado em 2001..
O ponto que Nizan queria ressaltar era o de que o produto tem um papel importantíssimo em uma campanha: se ele for bom, precisa apenas de uma boa estratégia de comunicação. Fazendo um paralelo com o presidente Lula: o mandatário não é, hoje, um bom produto para se trabalhar, mesmo se contasse com os melhores marqueteiros e publicitários do mundo. Na prática, ele se transformou em um guaraná Brahma da política. Sem a doçura excessiva do refrigerante.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.
*Leia mais colunas do autor clicando aqui.
O post A rejeição de Lula agora turbina também Caiado e Zema apareceu primeiro em BM&C NEWS.
