Juiz rejeita ação de R$ 50 bi de Trump contra WSJ sobre Epstein

Donald Trump e Jeffrey Epstein conversam durante uma festa, em novembro de 1992, em Palm Beach, na FlóridaReprodução/NBC

Um juiz dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira (13), o processo de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões, na cotação atual) do presidente Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal por acusações envolvendo o caso Epstein.

A ação acusava o grupo, composto ainda pela empresa Dow Jones, Rupert Murdoch e outros envolvidos, de difamação por causa de uma reportagem que ligava Trump a Jeffrey Epstein.

A decisão foi tomada na Flórida, mas Trump ainda tem até 27 de abril para apresentar uma nova versão do processo corrigindo os erros apontados pela Justiça.

A reportagem, publicada em janeiro de 2026, afirmava que Trump teria enviado uma carta a Epstein em 2003, quando ele completou 50 anos. Segundo o The Wall Street Journal, o material fazia parte de um álbum organizado por Ghislaine Maxwell, que também foi condenada por crimes sexuais.

Segundo a publicação, a carta com o nome de Trump trazia um texto digitado cercado pelo contorno de uma mulher nua, desenhado à mão com marcador. No desenho, pequenos traços indicavam os seios, enquanto a assinatura “Donald” aparecia abaixo, simulando pelos pubianos. O documento ainda terminava com uma mensagem de aniversário: “Feliz aniversário e que cada dia seja outro segredo maravilhoso“.

Isso não sou eu. É uma coisa falsa. É uma história falsa do Wall Street Journal”, negou Trump. “Nunca desenhei uma mulher na minha vida. Não é minha linguagem. Não são minhas palavras”, defendeu-se o presidente.

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Por que o processo foi rejeitado

O juiz responsável pelo caso explicou que, por ser uma figura pública, Trump precisa provar que houve intenção clara de divulgar uma informação falsa ou grande descuido com a verdade.

Na decisão, o juiz afirmou que o processo apresentou argumentos genéricos e não trouxe provas suficientes. Segundo ele, repetir acusações sem detalhamento não é o bastante para sustentar o caso.

O juiz também destacou que os jornalistas buscaram confirmar as informações antes da publicação, entrando em contato com órgãos como a Casa Branca, o Departamento de Justiça e o FBI.

Trump negou o conteúdo, enquanto os demais não responderam ou não comentaram. Para o magistrado, isso mostra que houve tentativa de checagem.

Próximos passos

Como a decisão não foi definitiva, Trump ainda pode apresentar uma nova versão do processo até 27 de abril. Se isso não acontecer, o caso pode ser encerrado.

O juiz também recusou, por enquanto, o pedido dos acusados para que Trump pague os custos do processo e os honorários dos advogados, mas deixou aberta a possibilidade de analisar isso mais adiante.

Durante o andamento do caso, a Câmara dos Representantes dos EUA teve acesso ao álbum de aniversário de Epstein, que incluía uma página com as características citadas na reportagem. Trump contesta a autenticidade do material, e o juiz indicou que esse ponto ainda precisa de uma análise mais aprofundada.

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