Depoimentos anônimos descrevem abusos de cardiologista no RS

O médico foi preso preventivamente na segunda-feira (30) e investigações buscam mais casosDivulgação: Polícia Civil do Rio Grande do Sul

Daniel Pereira Kollet, médico cardiologista que atuava na cidade de Taquara, Região Metropolitana da Porto Alegre, é suspeito por crimes de importunação sexual e abusos contra pelo menos 40 pacientes mulheres, segundo a Polícia Civil.

De acordo com reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (12), relatos de testemunhas revelam que o comportamento inicialmente simpático evoluía para abusos, durante as consultas.

As investigações começaram após três pacientes procurarem a polícia, o que levou o médico a ser preso preventivamente no final de março.

Desde então, rapidamente o número de possíveis vítimas subiu e passou de 40. Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, há ao menos um caso em que a vítima relata ter sido dopada durante o atendimento.

Depoimentos descrevem práticas do médico

Uma paciente relatou que foi estuprada durante consulta. Segundo ela, “ele a agarrou por trás e tentou abrir suas calças”, durante os exames.

Ela também afirma que o médico apagava as luzes e ficava sozinho com as pacientes. Confusa, diz que não soube reagir. 

Outra vítima, ex-funcionária, relatou que o médico agarrava as mãos dela à força e tentava enfiar dentro da calça dele. Ela conta que ficou em choque e com os pulsos vermelhos.  Segundo a vítima,  o cardiologista também tentava beijar seu pescoço.

Outra suposta vítima,  uma senhora de mais de 70 anos relatou  que o médico “era muito de abraçar e beijar”, fato que a motivou a levar um parente junto de si nas consultas.

Ela destaca ainda que, acompanhada, o médico não teve nenhum daqueles comportamentos.

E há casos mais graves. Outra denúncia partiu de uma enfermeira que trabalhou com o cardiologista e que relata ter acordado em um plantão com ele sobre o seu corpo.

Entenda o caso

O médico Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, foi preso preventivamente no final de março por suspeita de crimes sexuais na cidade de Taquara, na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul. 

Segundo a Polícia Civil, o cardiologista se aproveitava das consultas para importunar sexualmente as vítimas, em uma conduta que, conforme a investigação, ocorria há pelo menos dois anos.

De acordo com o delegado Valeriano Garcia Neto, os relatos das vítimas entram em consenso sobre como o médico Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, agia nas consultas. Ele pedia para que pacientes mulheres se despissem e aproveitava para praticar os crimes com contatos físicos inapropriados. Ao final, sempre pedia sigilo.

O iG procurou o Conselho Regional de Medicina para questionar sobre outros possíveis processos em andamento envolvendo o profissional de Daniel Pereira Kollet, mas não recebeu retorno até última atualização da reportagem. O espaço segue aberto.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.