Rota do tráfico: mais de três toneladas de drogas são apreendidas no TO em três meses


Mais de três toneladas de drogas foram apreendidas no Tocantins em 2026
Em pouco mais de um mês, as forças de segurança apreenderam uma tonelada de cocaína no Tocantins. Somadas às apreensões de maconha, as ocorrências ultrapassam três toneladas de drogas no primeiro trimestre de 2026. As drogas seriam destinadas ao tráfico internacional, segundo a Polícia Federal (PF).
Nesta segunda-feira (13), foram apreendidos 467 quilos de cocaína escondidos em uma carga de abacaxis. Conforme a PF, o caminhão que transportava a droga saiu do Pará e, possivelmente, recebeu o carregamento de drogas na região do Vale do Araguaia, no Tocantins.
Na mesma região, no começo de abril, investigadores encontraram outros 470 quilos de cocaína enterrados em um buraco. Três homens de 28, 30 e 33 anos foram presos em flagrante.
No norte do estado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) localizou mais 500 kg de cocaína escondidos no fundo falso de um caminhão. O flagrante aconteceu em março deste ano, quando o veículo foi abordado na BR-153, entre Guaraí e Pequizeiro.
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De acordo com as autoridades, o estado bateu recorde em apreensões de drogas transportadas em larga escala nos primeiros meses do ano. As apreensões são resultado de ações conjuntas entre diferentes forças policiais.
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Droga foi encontrada em um buraco, em área de mata no Vale do Araguaia
Divulgação/Ficco-TO
Tocantins na rota do tráfico
Nos últimos anos, as polícias passaram a aprimorar técnicas de investigação e estratégias para enfrentar o tráfico, com troca de informações entre estados e países.
Para o delegado Marco Bontempo, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, a baixa densidade populacional e as características geográficas do estado atraem organizações criminosas internacionais.
“A região do Tocantins é um ponto central e estratégico para as organizações criminosas, uma vez que tem uma extensa área e uma baixa densidade populacional, de modo que isso é explorado para a criação de rotas clandestinas tanto no modal aéreo como rodoviário. Então essas organizações criminosas utilizam isso, e também pela região do Tocantins possuir um terreno plano, isso facilita a criação, a abertura de novas rotas clandestinas, principalmente para pouso de aeronaves de pequeno porte”, afirmou.
O uso do Tocantins como rota para o tráfico internacional não é recente. No fim dos anos 1980, um laboratório do Cartel de Medellín, comandado por Pablo Escobar, foi desativado na Serra Gerais. Em 1994, uma megaoperação da Polícia Federal fechou outro laboratório, do Cartel de Cáli, em uma fazenda na zona rural de Guaraí.
Em 2019, a Operação Flak interrompeu voos clandestinos e apreendeu drogas enviadas para Europa, à África e aos Estados Unidos. As investigações apontaram que as aeronaves eram preparadas e adulteradas no Tocantins, Goiás e Pará.
Segundo o delegado, atualmente o principal foco da PF é atingir o núcleo financeiro das organizações criminosas.
“Hoje o principal foco da Polícia Federal é a descapitalização. É o levantamento patrimonial, identificar todo o fluxo financeiro, a lavagem do dinheiro, para que tudo seja desarticulado e atingir tanto quem financia a droga como aquele que executa o tráfico de drogas”, comentou.
Para Cesar Dario Mariano, procurador de Justiça de São Paulo e professor de Direito Penal, o combate ao tráfico depende da aplicação rigorosa da lei a todos os integrantes do esquema, inclusive os transportadores. Ele defende o uso de inteligência policial integrada.
“Na maioria das vezes a droga é apreendida por acaso, por uma revista. Não é por serviço de inteligência. O que a gente precisa é inteligência. Que a PRF trabalhe em sincronia com a PF e também com as polícias estaduais. Que quando apreender uma carga desse tipo, saiba que eles podem não fazer o flagrante naquele momento e deixar para fazer depois, para se chegar até o recebedor”, afirmou.
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