
O Supremo Tribunal Federal (STF) entra em 2026 sob pressão pública: 75% dos brasileiros dizem que seus ministros têm poder demais. Ao mesmo tempo, 71% afirmam que a corte segue essencial para a democracia. Os dados foram divulgados pela Folha de S.Paulo na noite de segunda (13).
A leitura prática é direta: cresce a cobrança sobre decisões e atuação dos ministros, enquanto a legitimidade institucional ainda se mantém. Esse contraste tende a pesar no debate político deste ano e nas campanhas para o Senado, que podem influenciar o futuro da corte.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril, em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE.
Outro dado aumenta ainda mais o desgaste: 75% dos entrevistados dizem que a população acredita menos no STF hoje do que no passado. Como a pergunta é inédita, não há série histórica para comparação.
Entre eleitores, a divisão aparece, mas não muda o diagnóstico central. Entre quem votou em Jair Bolsonaro em 2022, 88% afirmam que os ministros têm poder em excesso. Entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, o índice recua, mas segue majoritário: 64%.
Já quando o tema é a importância da corte, o cenário se inverte. Entre eleitores de Lula, 84% dizem que o STF é essencial para a democracia. Entre os que votaram em Bolsonaro, o percentual é de 60%.
Entre eleitores que anularam o voto ou não escolheram candidato, 67% veem excesso de poder nos ministros, enquanto 73% consideram o tribunal importante.
STF acumula decisões e vira alvo político
O STF passou a ocupar espaço central no debate público desde o julgamento do mensalão e manteve protagonismo em decisões sobre a Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, a anulação das condenações de Lula e a condução da pandemia de Covid-19.
Nos últimos anos, a corte também avançou sobre temas ligados aos atos de 8 de janeiro e às investigações sobre tentativa de golpe, que envolvem Bolsonaro.
Agora, o desgaste ganha outro vetor. Pesam suspeitas sobre relação de ministros com o empresário Daniel Vorcaro, ligadas ao Banco Master. O caso aumentou a pressão por regras internas mais rígidas.
O presidente do STF, Edson Fachin, defende a criação de um código de ética para os ministros. A proposta é cobrada por parte do empresariado e de entidades da sociedade civil.
No Congresso, o tema já entrou no radar político. Candidatos ao Senado ligados ao grupo de Bolsonaro prometem usar a eleição para tentar abrir caminho a pedidos de impeachment de ministros.
