Tremor de magnitude 2,4 é registrado no Paraná; é normal?

Moradores da Ilha do Mel reportaram a ocorrência ao Centro de Sismologia da USPReprodução: “Sentiu Aí?”, Centro de Sismologia USP

Um tremor de terra de magnitude 2,4 na escala Richter foi registrado na madrugada deste domingo (12) na cidade de Paranaguá, no litoral do Paraná. O abalo, ocorrido às 00h28, foi confirmado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e chegou a ser sentido pelos moradores, que relataram a vibração e um estrondo. O tremor foi o primeiro registrado na região, segundo o Centro, mas é considerado leve e não há danos.

Ao site “Sentiu Aí?”, do Centro de Sismologia da USP, Rafael Loures Bueno Belle, morador da Ilha do Mel, que faz parte da cidade Paranaguá, relatou que estava dentro do chalé quando ouviu um som semelhante a um “bum” seguido de tremor que fez a casa vibrar. Vários outros moradores reportaram o evento no site.

Rafael estimou que o evento durou de 2 a 3 segundos e constatou que vários moradores e vizinhos da Ilha também sentiram o tremor.

José Alexandre Araujo Nogueira, do Centro de Sismologia da USP, confirmou ao iG que este evento foi o primeiro já registrado na região. Ele explicou que tremores com magnitude entre 2 e 3 acontecem semanalmente em algumas partes do Brasil, enquanto eventos um pouco maiores, como este, são registrados quase todos os meses.

José destaca que tremores dessa magnitude tem poucas chances de causar danos mais sérios.

O Brasil tem terremotos? Entenda por que eles acontecem

O tremor registrado no Paraná é associado à Falha Geológica de Santos, uma estrutura geológica  que eventualmente se movimenta e cria tremores de terra entre a região de Paraná e São Paulo. É o que explica o geólogo Eduardo Salamuni, professor de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo ele, a falha está localizada na Bacia de Santos, região petrolífera que recebe sedimentos do continente e que, por apresentar registros de tremores, recebe o nome de “área sismogênica”. No caso do abalo deste domingo (12), o professor explica que também existem tensões em regiões centrais das placas tectônicas, e que elas podem liberar “ondas sismogênicas”.

Apesar disso, Salamuni ressalta que não nenhuma possibilidade de dano. “A gente tem uma tranquilidade muito grande pelo histórico dos terremotos nessa região”, comenta o professor.

Aulas de Geografia não estavam erradas

Embora o Brasil esteja localizado ao centro da Placa Sul-Americana, ou seja, longe das bordas das placas tectônicas onde ocorrem terremotos fortes e muitas vezes destrutivos, isso não significa que o país esteja livre de tremores.

O professor diz que pesquisas verificaram uma tensão que se acumula ao longo do tempo no meio dessa placa e, em algum momento, cria uma onda de choque, chamada de onda sismogênica. A onda, no entanto, é de magnitude muito menor e também não é tão frequente.

Salamuni destaca que o que foi ensinado em aulas de Geografia não estava errado, afinal, os terremotos brasileiros são de magnitude irrelevante do ponto de vista estrutural, mas com o detalhe de que existem, sim, terremotos no país, por conta dessas ondas de choque, ou “ondas sismogênicas”.

Em termos de médias mundiais, a magnitude dos terremotos brasileiros é muito baixa, e vai de 1,5 a 3,5, conclui Salamuni.  Todo caso, ele destaca que a o maior terremoto já registrado foi na região do Pantanal, com uma magnitude de 6,4.

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