Relatório da CPI é peça de propaganda para Flávio Bolsonaro

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)Geraldo Magela/Agência Senado

O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado apresentado pelo senador Alessandro Vieira é o melhor presente que a oposição ao governo Lula (PT) poderia ganhar às vésperas das eleições. Flávio Bolsonaro (PL) agradece.

Numa tacada, o documento coloca em xeque a credibilidade do Supremo Tribunal Federal, com o indiciamento de três ministros da Corte, além do procurador-geral da República, e encaminha sugestões como o de que o governo federal deve intervir imediatamente na segurança pública do Rio, uma medida para conter a infiltração do crime organizado em um estado novamente acéfalo.

A conclusão, ainda a ser votada, é música para os ouvidos da base bolsonarista, que tenta minar a credibilidade do Supremo desde que o líder da turma percebeu que não poderia fazer o que quisesse em seu governo, menos ainda depois que perdeu a eleição, sem risco de ser emparedado.

Para piorar, é cada vez mais difícil defender a postura de Alexandre de Moraes, principal responsável por mandar a turma para a cadeia, diante do avanço do caso Master – um caso cujo conflito de interesse era evidente. A mulher dele, Viviane Barci, simplesmente trabalha no escritório de advocacia contratado pela instituição  então comandada por Daniel Vorcaro.

Cada um por suas razões, Gilmar Mendes, decano da corte, e Dias Toffoli, também foram alvos de pedidos de indiciamento. E Gonet, o PGR acusado de “omissão”, é “só” o responsável pela denúncia da organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no país em 2022.

De longe é possível dizer que Vieira não se amedrontou diante dos peixes grandes jogados sob suspeita por uma comissão criada para investigar os tentáculos do crime organizado no país.

Bem. O problema do relatório não é quem aparece, e sim quem não aparece. Já que o Master ganhou capítulo central na história, vale destacar que foi na gestão de Roberto Campos Neto, durante o governo Bolsonaro, que os tentáculos da instituição cresceram livres, leve e soltos. E que, quando as fraudes já eram evidentes, e já era mais negócio comprar um Marea usado do Agostinho Carrara do que ações do Master, um governador bolsonarista, Ibaneis Rocha, entrou em campo para dizer “tá, eu levo” por meio do Banco regional de Brasília, uma instituição pública usada para salvar um negócio privado.

O próprio Vorcaro escapou do relatório de Vieira.

A razão é que nenhum deles compareceu à comissão quando foram convidados. Todos receberam habeas corpus da Corte ora acusada de ligações com os envolvidos. Os envolvidos, porém, escaparam da mira do relator. Dá pra entender? 

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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