Acordo de paz: representantes de Israel e do Líbano declaram que houve progresso e concordaram em retomar negociações diretas


Líbano e Israel negociam acordo em Washington
Representantes de Israel e do Líbano se reuniram nesta terça-feira (14) em Washington para discutir um acordo de paz. Os dois lados declararam que houve progresso e concordaram em retomar negociações diretas. Mas o conflito entre Israel e o grupo Hezbollah continua sem um cessar-fogo.
Esse encontro não era visto há décadas. No centro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio. No canto direito da tela, lado a lado, a embaixadora do Líbano e o embaixador de Israel nos Estados Unidos. Os dois países não mantêm relações diplomáticas e não faziam uma reunião direta de alto nível assim desde 1993. O próprio secretário de Estado reconheceu logo de início que um acordo vai levar tempo:
“Todas as complexidades desse assunto não serão resolvidas nas próximas seis horas, mas podemos começar a criar uma estrutura para algo positivo e permanente”, afirmou.
Em lados opostos nessa mesa de negociação, os governos de Israel e do Líbano concordam em um ponto: o grupo extremista Hezbollah – apoiado pelo Irã e que atua dentro do Líbano – precisa ser desarmado. O problema é como atingir esse objetivo. O Líbano é liderado hoje por um primeiro-ministro e por um presidente críticos ao Hezbollah, mas que, na prática, não têm influência sobre o grupo.
O embaixador israelense saiu da reunião dizendo que os dois países estão unidos na tentativa de libertar o Líbano do Hezbollah. Já a embaixadora libanesa disse que usou a reunião para reiterar o apelo por um cessar-fogo e para defender o respeito à integridade territorial e à soberania do Líbano, e medidas que aliviem a crise humanitária.
Sem um avanço prático na mesa de negociação, imagens voltaram a se repetir nesta terça-feira (14). Os bombardeios israelenses já mataram mais de 2 mil libaneses e provocaram o deslocamento de 1 milhão de pessoas, enquanto o Hezbollah segue lançando mísseis e foguetes contra Israel.
Acordo de paz: representantes de Israel e do Líbano declaram que houve progresso e concordaram em retomar negociações diretas
Jornal Nacional/ Reprodução
A pressão por um acordo vem também da Europa. Nesta terça-feira (14), a Itália anunciou que, por causa da situação atual, não vai renovar um acordo de cooperação em defesa com Israel.
Os americanos têm defendido que o cessar-fogo acertado há exatamente uma semana com o Irã não inclui a frente de batalha no Líbano. Querem separar as negociações em duas partes. Acreditam que, assim, sem a participação do Irã, Israel tem mais força para pressionar pelo desarmamento do Hezbollah.
Depois da reunião, o Departamento de Estado americano divulgou um comunicado em que expressa apoio aos planos do governo do Líbano para restaurar o monopólio do uso da força e pôr fim à influência excessiva do Irã no país, e ao direito de Israel de se defender dos ataques do Hezbollah. O comunicado afirma que os dois lados concordaram em iniciar negociações diretas em uma data e local a serem acordados.
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