O sítio na França que guarda milhões de ovos de dinossauros intocados a poucos metros abaixo da superfície

No sul da França, ao pé da Montanha Sainte-Victoire, pesquisadores escavam há uma década um dos campos de ovos de dinossauros mais densos já registrados no mundo. Em 2024, a quarta campanha do projeto revelou 552 ovos fossilizados em apenas um hectare, e as estimativas indicam que milhões de espécimes ainda repousam intocados no subsolo da Provença.

Onde fica o sítio de ovos de dinossauros da Provença?

O sítio está localizado na Reserva Natural Nacional de Sainte-Victoire, nos Bouches-du-Rhône, região já conhecida dos paleontólogos pelos sedimentos argilosos avermelhados do Cretáceo Superior. Antigos rios tropicais depositaram camadas de lama e areia que selaram os ovos por aproximadamente 75 a 76 milhões de anos.

A erosão natural do terreno faz emergir, a cada ano, novos fragmentos de fósseis: dentes de predadores, fragmentos ósseos e cascas de ovos. Esse processo transforma a reserva em um sítio paleontológico vivo, onde cada estação chuvosa pode expor material inédito.

O sítio está localizado na Reserva Natural Nacional de Sainte-Victoire, nos Bouches-du-Rhône, região já conhecida dos paleontólogos pelos sedimentos argilosos avermelhados do Cretáceo Superior

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Como foram encontrados os 552 ovos fossilizados em 2024?

A descoberta foi resultado da quarta campanha do projeto “Brossons les œufs” (“Vamos escovar os ovos”), conduzido pela Reserva Natural e pelo Muséum d’Histoire Naturelle d’Aix-en-Provence, com resultados divulgados em setembro de 2024.

Segundo a Sciences et Avenir, mais de 160 participantes, com idades entre 4 e 74 anos, colaboraram com a escavação. Em uma década, foram recuperados quase mil ovos fossilizados em apenas um hectare, e a reserva pode abrigar milhões de ovos ainda intocados.

O canal FRANCE 24, com mais de 8,5 milhões de inscritos no YouTube, produziu uma reportagem sobre o sítio com mais de 5.700 visualizações. As imagens mostram de perto o processo de escavação e a densidade dos ninhos encontrados na Provença:

A quais espécies pertencem os ovos de dinossauros da Provença?

Os ovos foram identificados como pertencentes a herbívoros de grande porte. A forma esférica aponta para quatro famílias possíveis: Titanossaurídeos, Rhabdodontídeos, Hadrossaurídeos e Nodossaurídeos.

O estado de conservação é considerado excepcional pelos pesquisadores. É possível estudar a porosidade da casca, revelando detalhes sobre o clima quente e úmido que reinava no sul da França no final do Cretáceo Superior.

É possível estudar a porosidade da casca, revelando detalhes sobre o clima quente e úmido que reinava no sul da França no final do Cretáceo Superior

O que diferencia cada família candidata aos ovos encontrados?

Cada uma das quatro famílias tem características físicas e comportamentais distintas, e a identificação definitiva depende de análises mais aprofundadas das cascas e de eventual material genético preservado.

A tabela abaixo resume os principais atributos de cada grupo:

Família Tipo Característica principal
Titanossaurídeos Herbívoro de grande porte Pescoço longo, quadrúpede, entre os maiores dinossauros conhecidos
Rhabdodontídeos Herbívoro de médio porte Bípede, típico da Europa do Cretáceo Superior
Hadrossaurídeos Herbívoro de grande porte Conhecidos como “dinossauros de bico de pato”
Nodossaurídeos Herbívoro blindado Corpo coberto por placas ósseas, quadrúpede

O que os ninhos revelam sobre o comportamento reprodutivo dos dinossauros?

Segundo a National Geographic França, a densidade dos ninhos indica que os dinossauros retornavam ao mesmo local ano após ano para desovar, comportamento semelhante ao das tartarugas marinhas atuais.

As principais evidências que sustentam essa leitura comportamental são a alta densidade de ninhos em área restrita, a sobreposição de ovos em diferentes estratos geológicos e o paralelo direto com fauna atual que também pratica fidelidade ao sítio de nidificação.

  • Alta densidade: quase mil ovos recuperados em apenas um hectare ao longo de uma década de escavações
  • Estratos sobrepostos: ovos encontrados em camadas geológicas distintas, indicando uso repetido do sítio em anos diferentes
  • Fidelidade ao local: padrão observado hoje em tartarugas marinhas e algumas aves migratórias que retornam ao mesmo ponto de nidificação
  • Expansão da reserva: a área de proteção deve dobrar em breve para ampliar as escavações e preservar o patrimônio paleontológico

O dinossauro mais antigo da África reescreve a história do Triássico

Em agosto de 2022, uma equipe internacional liderada pela Virginia Tech descreveu o Mbiresaurus raathi, o dinossauro mais antigo já encontrado na África, durante escavações em 2017 e 2019 no distrito de Mbire, ao norte do Zimbabwe.

O animal viveu há cerca de 230 milhões de anos, durante o período Triássico, media aproximadamente 1,8 metro de comprimento e pesava entre 9 e 29,5 kg. Era um sauropodomorfo primitivo, parente distante dos grandes titanossauros de pescoço longo, com esqueleto quase completo.

Sua semelhança com dinossauros do Brasil e da Argentina reforça a hipótese de que América do Sul e África formavam uma única massa continental contínua durante o Triássico Superior, antes da separação das placas tectônicas.

O dinossauro mais antigo já encontrado na África, durante escavações em 2017 e 2019 no distrito de Mbire, ao norte do Zimbabwe

Duas descobertas que ampliam o que sabemos sobre a era dos dinossauros

A Provença e o Zimbabwe estão separados por milhares de quilômetros e dezenas de milhões de anos, mas as duas descobertas apontam para a mesma direção: o registro fóssil de dinossauros ainda está longe de ser completo, e cada nova escavação tem potencial de reescrever capítulos inteiros da paleontologia.

Com milhões de ovos de dinossauros estimados no subsolo francês e esqueletos triássicos emergindo no continente africano, a ciência segue construindo, camada por camada, a história mais longa já contada sobre a vida na Terra.

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