Idoso amputa 2ª perna após espera de mais de um mês em UPA por cirurgia; RN tem 46 mil procedimentos na fila


Mais de 46 mil pessoas na fila de cirurgia e procedimentos no RN
Um idoso de 82 anos precisou ter a segunda perna amputada após esperar por cerca de um mês e meio em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Natal por uma vaga em um hospital da rede pública para realizar uma cirurgia que previa a amputação apenas de um dos dedos do pé.
Segundo a família e amigos que prestam assistência a Abimael da Silva, médicos disseram que essa retirada do dedo poderia evitar uma nova amputação completa da perna.
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“Se ele tivesse sido transferido em menos tempo do que ele foi transferido, ele não teria amputado a outra perna. Acabou acontecendo que ele amputou a outra perna, então está sem as duas pernas. Então, assim, o Estado errou completamente”, falou Cleonice Gomes, amiga da família.
De acordo com dados do Regula Cirurgias, o Rio Grande do Norte tem, nesta quarta-feira (15), 46 mil procedimentos – entre complexos e simples – na fila.
Idoso perdeu duas pernas em cerca de quatro meses após amputações
Reprodução/Inter TV Cabugi
A Inter TV procurou a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para tratar sobre o caso e os dados, mas não recebeu retorno até a atualização mais recente desta reportagem.
Abimael da Silva precisou amputar a primeira perna no início deste ano, após descobrir um quadro de diabetes.
Segundo a família, naquele momento já houve uma espera para a realização de um exame que investigaria a circulação sanguínea no pé dele.
“Isso demorou muito, devido aos feriados de Natal e Ano Novo. E eles ficavam só adiando a data. O que aconteceu: quando a gente veio realizar o exame, o médico disse que infelizmente a perna dele já estava a metade, da panturrilha pra baixo, comprometida. E teve que ser feita a primeira amputação”, explicou a filha Tércia Soares.
O idoso tinha uma vida ativa, mas, hoje, com as duas pernas amputadas, passa a maior parte do tempo em uma cama.
A família agora se mobiliza para comprar uma cama hospitalar, para dar mais conforto e dignidade ao idoso.
“Meu pai era uma pessoa ativa, ele vivia pedalando, caminhando. Era uma pessoa participativa de tudo. E hoje a gente vê ele nessa situação, dói muito”, falou a filha Tércia Soares.
“Eu só posso agradecer a Deus pelo fato dele estar vivo, independente da situação, porque está sem as duas pernas, mas ele está vivo. Mas é um processo muito lento, a gente tem uma luta muito grande, constante com ele, todos os dias”.
Aposentada precisa de dois procedimentos
A aposentada Eduarda Mendes, de 83 anos, espera desde 2024 por uma cirurgia na bexiga. Enquanto aguarda esse procedimento, descobriu mais um problema que precisa de intervenção cirúrgica, dessa vez no útero.
“Fiz vários exames particulares, para adiantar. Quando eu cheguei lá, em 29 de dezembro, simplesmente a moça [atendente] marcou uma consulta com a ginecologista. Eu disse: ‘Minha filha, eu não vim para consulta não, eu vim me internar para fazer uma cirurgia’. Ela disse: ‘Não, não é assim. Você tem que fazer todos os exames’. Todos os meus exames estavam prontos. Mas aí não deu em nada”, contou.
Nesta semana, a aposentada realizou uma consulta no Hospital da Polícia Militar, em Natal, mas ainda não teve previsão de quando vai realizar a cirurgia.
“A minha cabeça não aguenta mais. E nem o útero aguenta mais esperar. Porque eu fico o dia todinho deitada. Eu me levanto, faço uma coisa, faço outra, deixo que não me ‘baixe'”, relatou.
Eduarda Mendes, de 83 anos, espera por duas cirurgias
Reprodução/Inter TV Cabugi
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