Localizada no coração do Pelourinho, em Salvador (BA), a Igreja e Convento de São Francisco é um testemunho da riqueza colonial brasileira. Construída em 1723 e revestida internamente com cerca de 800 quilos de ouro, a igreja é aclamada como a mais rica expressão do barroco lusófono no mundo.
Como o ouro moldou o interior barroco deste templo baiano?
Ao entrar na igreja, o visitante é envolvido por um brilho dourado intenso, fruto da técnica da “talha dourada” aplicada a milhares de esculturas de madeira. O excesso de ouro sobre anjos, querubins e motivos florais reflete a fase de maior opulência do Império Português na Bahia, financiada pelo ciclo do açúcar e da mineração.
Essa ostentação não é apenas decorativa, mas um manifesto do poder religioso e político da época colonial. A grandiosidade arquitetônica é chancelada pelo IPHAN, que a classifica como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, protegendo o edifício de alterações modernas.

Quais os desafios da manutenção da talha dourada no clima litorâneo?
A proximidade do mar de Salvador traz altos índices de umidade e maresia, que são os maiores inimigos das esculturas de madeira policromada e do folheamento a ouro. O restauro desses elementos exige o trabalho de especialistas que limpam pacientemente cada detalhe sem remover as finas camadas originais do metal precioso.
Para entender a fragilidade dos materiais coloniais em comparação com técnicas modernas de revestimento religioso, apresentamos a tabela de impacto ambiental no patrimônio barroco:
| Tipo de Agressão Ambiental | Impacto na Talha Dourada Colonial | Impacto no Concreto Contemporâneo |
| Maresia e Umidade Alta | Degrada a folha de ouro e apodrece a madeira | Causa oxidação na armação de aço interna |
| Pragas Biológicas (Cupins) | Risco altíssimo de destruição estrutural | Risco nulo na parte estrutural de alvenaria |
| Técnica de Reparação | Manual, artesanal e de altíssimo custo | Intervenções de engenharia civil padronizada |
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Onde encontrar a coleção de azulejos portugueses do convento?
Anexo à nave principal, os corredores do convento abrigam um dos maiores e mais valiosos painéis de azulejos portugueses em azul e branco do século XVIII. Esses painéis narram passagens da vida de São Francisco de Assis e mensagens morais em latim, formando uma galeria de arte ao ar livre ao redor do pátio central.
A técnica de azulejaria servia também como um isolante térmico e impermeabilizante para as paredes grossas do edifício. O Governo do Estado da Bahia promove esse acervo como um diferencial turístico inigualável na América do Sul para amantes da história da arte.
Para aprofundar seu roteiro pela riqueza do barroco em Salvador, selecionamos o conteúdo do canal Minuto Épico, que já conta com mais de 25 mil inscritos. No vídeo a seguir, o criador detalha visualmente a grandiosidade da Igreja de São Francisco, conhecida como a “Igreja de Ouro”, explorando os detalhes da azulejaria portuguesa e os entalhes dourados que a tornam única no mundo:
Quais os detalhes esculturais mais impressionantes da nave central?
O estilo barroco da igreja é classificado como “horror ao vazio” (horror vacui), onde literalmente não há espaço nas paredes ou no teto sem alguma ornamentação. Pinturas no teto que causam ilusão de ótica (trompe l’œil) criam a sensação de abóbadas imensas, elevando a percepção da altura do templo.
Baseando-nos em roteiros de turismo histórico da capital baiana, listamos os elementos arquitetônicos indispensáveis para observação minuciosa do visitante:
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Altar-Mor Cônico: A majestosa estrutura principal totalmente recoberta em ouro maciço.
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Coro de Jacarandá: Assentos dos monges minuciosamente entalhados em madeira nobre escura.
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Teto da Nave: Pintura ilusória impressionante da Glorificação de São Francisco.
Como o templo impacta o turismo e a preservação do Pelourinho?
A igreja é o imã que atrai excursões globais para as ladeiras do Pelourinho, dinamizando o comércio de artesanato, baianas do acarajé e guias de turismo credenciados. O fluxo constante de turistas ajuda a financiar, através da cobrança de ingressos, os constantes restauros de que o complexo carece.
A Igreja de São Francisco atua como uma cápsula do tempo da colonização. Mais do que um templo, ela é o símbolo da resistência do patrimônio histórico brasileiro, mostrando ao mundo como a arte colonial do século XVIII moldou a geografia cultural da primeira capital do país.
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