Suspeitos de matar professor encontrado em cova rasa viram réus no Acre


Victor Oliveira da Silva e Marijane Maffi foram presos por envolvimento no crime. Ele segue na cadeia, enquanto ela foi internada em uma clínica de reabilitação em Rondônia
Alexandre Lima/Arquivo pessoal
A Justiça do Acre aceitou denúncia contra três suspeitos de envolvimento na morte do professor de dança Reginaldo Silva Corrêa, conhecido como Reggis, encontrado em uma cova rasa em outubro do ano passado, em Epitaciolândia, no interior do estado.
Principal acusado, Victor Oliveira da Silva, que confessou ter matado, passado a noite com o corpo em seu quarto e enterrado Reggis, vai responder por homicídio qualificado, por motivo torpe e mediante recurso que dificulte a defesa da vítima. Marijane Maffi, que confessou ter levado, após o crime, o carro de Reggis até Cobija, na Bolívia, também foi denunciada, junto a Limbson Santiago Pereira. (Veja mais abaixo o que é atribuído a cada réu)
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Silva é representado pela Defensoria Pública, que costuma não se manifestar sobre os casos. A defesa de Marijane não quis comentar a decisão, mas destacou a confiança na Justiça e no devido processo legal. O g1 não conseguiu localizar a defesa de Santiago.
Reginaldo Silva Corrêa, conhecido como Reggis
Arquivo pessoal
👉Contexto: O professor sumiu após dizer que iria fazer uma entrega em 25 de setembro de 2025, ocasião em que não foi mais visto. A família registrou um boletim de ocorrência no dia 29 do mesmo mês após não conseguir mais contato com ele. O corpo foi encontrado no dia 1º de outubro.
Além do recebimento das denúncias, a Justiça manteve a prisão preventiva de Silva e a autorização para que Marijane Maffi siga, mediante medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, internada em uma clínica de reabilitação em Porto Velho, Rondônia.
Em fevereiro, o g1 conversou com uma irmã de Reggis, que comentou sobre o sentimento da família à espera de Justiça. Ela destacou que o luto é diário.
“Espero que as pessoas não esqueçam do meu irmão e nos ajudem a pedir e clamar por justiça, pois isso não pode ficar impune. Foi muito cruel o que fizeram com ele que sempre foi muito querido por todas as amizades e em todos os lugares onde morou”, relatou Regilaine Silva Corrêa.
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Confira abaixo os crimes atribuídos a cada acusado:
Victor Oliveira da Silva – homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, mediante traição, emboscada traição, emboscada, dissimulação ou recurso que dificulte a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver; furto qualificado do carro e furto simples do celular da vítima. Confessou ter matado Reggis durante uma discussão quando supostamente tentava retomar um relacionamento amoroso com a vítima.
Marijane Maffi – ocultação de cadáver e furto qualificado do carro da vítima. Ela negou envolvimento no assassinato de Reggis, mas confessou ter sido persuadida por Silva e levar o veículo até Cobija, onde um terceiro buscaria o veículo. Ela nega o relato de outro suspeito de que teria emprestado ferramentas para que Silva enterrasse o corpo de Reggis.
Limbson Santiago Pereira – ocultação de cadáver e furto simples do celular da vítima. Disse à polícia ter sido chamado por Silva para “enterrar um negócio”, que ajudou a retirar o corpo e que viu Marijane entregar ferramentas utilizadas pelo outro acusado para enterrar Reggis. Uma testemunha afirmou ter comprado o celular da vítima vendido por Pereira. É o único dos acusados que não chegou a ser preso.
💡 Após o recebimento da denúncia, a Justiça ainda irá fixar data para a audiência de instrução, fase do processo que determina se os réus irão ou não a júri popular.
Victor Oliveira da Silva, de 27 anos, monitorado da Justiça, confessou ter assassinado e enterrado professor Reginaldo Silva Correa
Reprodução
Prisão
Silva foi preso em flagrante em 1º de outubro, após indicar a dinâmica do crime e onde havia deixado o corpo do professor. Ele ainda disse à polícia que chegou a dormir com o corpo de Reggis no próprio quarto na noite após o crime.
O homem, que era monitorado da Justiça, participou da morte e ocultação de cadáver, com suposto auxílio de Marijane Maffi, vizinha dele.
Em novembro de 2025, a Justiça do Acre autorizou a Polícia Civil a ter acesso aos dados da tornozeleira eletrônica de Victor. Conforme a decisão, a polícia pediu autorização judicial para acessar a geolocalização do suspeito e compreender os passos do crime.
Reginaldo Silva Correa de 44 anos, foi morto em Epitaciolândia
Arquivo pessoal
Relembre o caso
Reggis havia desaparecido na noite de 29 de setembro, quando disse à ex-esposa, Keloiza Lima Paiva, que iria fazer uma entrega. Como a maior parte dos parentes dele não mora em Epitaciolândia, foi a mulher quem registrou boletim de ocorrência.
Ele havia retornado de uma viagem a Fortaleza e chegou a falar com Keloiza pouco antes de sumir. Reggis teve o corpo localizado em um terreno entre as casas dos dois suspeitos.
A polícia chegou aos suspeitos, após os investigadores acharem um notebook que pertencia a Reggis. No equipamento, descobriram a conversa da vítima com Victor em um aplicativo de mensagens.
Acadêmico de Educação Física, ele também era agente territorial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), coreografo e professor de dança no estilo zumba. Ele deixou uma filha de seis anos. Após a confirmação da morte, parentes, amigos e instituições divulgaram notas lamentando o ocorrido.
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