
Independentes lideram em quase todos os grupos e se tornaram peça-chave para a eleição de 2026
A última pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (15), mostrou que o grupo de eleitores que se declaram independentes — aqueles que não se identificam com a esquerda, com a direita, nem com nomes específicos — tornou-se peça-chave para a eleição de 2026. Representando 32% do eleitorado, esse contingente inverteu sua preferência nos últimos meses: se em dezembro de 2025 Lula vencia Flávio Bolsonaro por 37% a 23%, agora em abril, o senador lidera o segmento com 33% contra 26% do atual presidente.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Mais do que a intenção de voto, os dados destrincham o perfil sociodemográfico desse eleitor que hoje foge da polarização direta.
Os independentes são maioria em quase todo o país. No Sul, formam 34% da população, segundo a Quaest. No Nordeste, eles somam 32%, mesmo patamar dos lulistas convictos na região. No Sudeste, também lideram com 32%, seguidos pela direita não bolsonarista. Já no Norte e Centro-Oeste, somam os mesmos 32% — abrindo 10 pontos de vantagem sobre o segundo grupo mais expressivo, a direita não bolsonarista.
Veja os números do posicionamento político dos eleitores por região:
Nordeste
Lulista: 32%
Esquerda não lulista: 14%
Independente: 32%
Direita não bolsonarista: 10%
Bolsonarista: 10%
Não sabe/não respondeu: 2%
Sudeste
Lulista: 14%
Esquerda não lulista: 16%
Independente: 32%
Direita não bolsonarista: 25%
Bolsonarista: 12%
Não sabe/não respondeu: 1%
Sul
Lulista: 11%
Esquerda não lulista: 12%
Independente: 34%
Direita não bolsonarista: 27%
Bolsonarista: 14%
Não sabe/não respondeu: 2%
Centro-Oeste/Norte
Lulista: 18%
Esquerda não lulista: 12%
Independente: 32%
Direita não bolsonarista: 22%
Bolsonarista: 13%
Não sabe/não respondeu: 3%
O recorte de renda revela onde o governo Lula mais perde terreno. Os independentes lideram entre os eleitores que ganham até cinco salários mínimos. Até 2 salários mínimos aparece com 35% (contra 29% de lulistas e 9% de bolsonaristas). De 2 a 5 salários mínimos é de 32%, enquanto lulistas e bolsonaristas somam apenas 14% cada.
O segmento só perde a liderança no estrato de renda superior (acima de 5 salários), onde a direita não bolsonarista corresponde com 29%, seguida pelos independentes com 28%.
Veja os números do posicionamento político dos eleitores por renda familiar:
Até 2 salários mínimos
Lulista: 29%
Esquerda não lulista: 14%
Independente: 35%
Direita não bolsonarista: 10%
Bolsonarista: 9%
Não sabem/Não respondeu: 3%
Mais de 2 salários mínimos a 5 salários minimos
Lulista: 14%
Esquerda não lulista: 13%
Independente: 32%
Direita não bolsonarista: 25%
Bolsonarista: 14%
Não sabem/Não respondeu: 2%
Mais de 5 salários mínimos
Lulista: 14%
Esquerda não lulista: 15%
Independente: 28%
Direita não bolsonarista: 29%
Bolsonarista: 13%
Não sabem/Não respondeu: 1%
Na divisão por idade, os independentes representam 31% entre os mais jovens (16 a 34 anos) e também entre os idosos (acima de 60 anos). O pico ocorre entre os eleitores de 35 a 59 anos, onde o percentual sobe para 34%.
Veja os números do posicionamento político dos eleitores por faixa etária:
16 a 34 anos
Lulista: 14%
Esquerda não lulista: 18%
Independente: 31%
Direita não bolsonarista: 25%
Bolsonarista: 10%
Não sabem/Não respondeu: 2%
35 a 59 anos
Lulista: 19%
Esquerda não lulista: 12%
Independente: 34%
Direita não bolsonarista: 22%
Bolsonarista: 11%
Não sabem/Não respondeu: 2%
60 anos ou mais
Lulista: 25%
Esquerda não lulista: 12%
Independente: 31%
Direita não bolsonarista: 13%
Bolsonarista: 16%
Não sabem/Não respondeu: 3%
Independentes no 2º turno
A pesquisa Quaest de segundo turno à Presidência mostrou que, entre os eleitores independentes, Flávio Bolsonaro (PL) tem 33% das intenções de voto e o presidente Lula (PT), 26%. Contudo, 36% afirmam que não vão votar.
Veja os números de intenção de voto entre os independentes:
Não vai votar: 36% (eram 36% em março e 38% em fevereiro);
Flávio Bolsonaro: 35% (eram 33% em março e 31% em fevereiro);
Lula: 26% (eram 27% em março e 31% em fevereiro);
Indecisos: 5% (eram 5% em março e 5% em fevereiro).
A pesquisa geral mostra que Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) aparecem tecnicamente empatados em um eventual 2º turno das eleições 2026. Flávio tem 42% das intenções de voto contra 40% de Lula. É a primeira vez na Quaest que o senador filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ultrapassa Lula numericamente.
Quaest: intenção de voto 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
Arte/g1
