O programa Money Report, da BM&C News, reuniu convidados de áreas distintas para discutir como experiências familiares, criatividade e inovação moldam trajetórias profissionais e empresariais. Participaram da conversa o empreendedor de tecnologia Arthur Silveira, fundador da SLI, a estilista Lethicia Bronstein e Márcio Luftglas, sócio do BTG Pactual e autor de um livro sobre a trajetória de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de atuarem em setores diferentes, tecnologia, moda e mercado financeiro, os convidados convergiram em um ponto central: a influência das histórias familiares e das experiências pessoais na formação de lideranças e projetos de longo prazo.
Memória histórica e reconstrução após a guerra
Durante o programa, Márcio Luftglas relatou a história de seu pai, nascido na Polônia e sobrevivente de seis campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo um campo de extermínio. Após a libertação, ele ainda passou um período na Europa antes de emigrar para Israel e, posteriormente, para o Brasil.
A chegada ao país ocorreu em 1954. Sem falar português e sem conhecer o destino que encontraria, iniciou a vida em São Paulo trabalhando como mascate no bairro do Bom Retiro, onde gradualmente reconstruiria sua trajetória.
“Aqui que eu vou recomeçar. Espero que depois de tantos, tanto sofrimento e tantos fracassos mesmo, eh, na, na vida dele, ele achava que talvez ia achar um futuro, reconstruir uma família aqui no Brasil.”, recordou Márcio Luftglas.
Empreendedorismo e criação no setor de moda
A estilista Lethicia Bronstein explicou que liderar uma marca de moda exige conciliar duas dimensões distintas: a criação artística e a gestão empresarial. Segundo ela, além da criatividade, o negócio envolve decisões financeiras, jurídicas e estratégicas constantes.
Bronstein destacou que sua trajetória foi influenciada pela convivência com profissionais da moda desde cedo, especialmente pela relação com a estilista Maria Cândida Sarmento, fundadora da marca Maria Bonita.
“Eu brinco que eu vendo sonho e pago a conta, né? Porque mas eu acho que essa é a beleza do desse nicho que eu acabei escolhendo, que é um nicho que, óbvio, hoje a marca é maior, a gente abrange outras coisas, mas você trabalhar vendendo o sonho, eh, ele te tira um pouco o peso da responsabilidade de tocar uma empresa.”, comentou Lethicia Bronstein.
Inteligência artificial aplicada à gestão financeira
Arthur Silveira apresentou a proposta da SLI, empresa que utiliza inteligência artificial para aprimorar processos financeiros em empresas e instituições. Segundo ele, muitas organizações ainda operam com sistemas fragmentados e dados pouco estruturados.
Para o empreendedor, a integração dessas informações é essencial para melhorar o controle operacional e permitir que empresas concentrem esforços no crescimento do negócio principal.
“Hoje, por mais que a gente tenha ferramentas de IA e ferramentas ultramodernas, os dados nas empresas não estão estruturados. E esse é o grande problema. É, é, é, é a origem da falta de controle, falta de visibilidade.”, explicou Arthur Silveira.
O desafio de preservar histórias familiares
Ao comentar o livro sobre a trajetória de seu pai, Luftglas afirmou que um dos objetivos era tornar a história acessível para novas gerações. Por isso, optou por uma narrativa curta, capaz de ser lida rapidamente.
Segundo ele, o projeto ganhou repercussão além do esperado, com tiragem esgotada e interesse de escolas em utilizar a obra para discutir história e imigração.
“Se eu puder inspirar uma pessoa, já inspirei duas, tá? a escreverem o livro, fazer um rascunho eh sobre a família. Eu tô realizado.”, declarou Márcio Luftglas.
Experiência do cliente e cultura organizacional
Lethicia Bronstein também relembrou a experiência que teve ao trabalhar na Disney, nos Estados Unidos. Para ela, o período foi determinante para entender como empresas podem construir experiências memoráveis para clientes.
A estilista destacou que a cultura da empresa estimula os profissionais a observarem o ambiente constantemente e criarem soluções espontâneas para melhorar a experiência do público.
“Você vê uma criança esperando os fogos se sujar de sorvete. Você tem autonomia entrar na loja, pegar uma camiseta e surpreender, deixar aquele momento, aquela experiência no parque ainda mais mágica.”, relatou Lethicia Bronstein.
Criatividade como base da inovação tecnológica
Arthur Silveira afirmou que criatividade e tecnologia caminham juntas no desenvolvimento de soluções digitais. Para ele, mesmo em áreas altamente técnicas, interpretar problemas e construir soluções inovadoras continua sendo um fator decisivo.
Segundo o empreendedor, muitas empresas de tecnologia surgem justamente da tentativa de resolver desafios enfrentados pelos próprios fundadores em suas atividades profissionais.
“Então, a nossa tecnologia, ela aprende o teu negócio e ela tenta estruturar o que tá na tua cabeça e na na cabeça da da das equipes, fazer um paralelo disso com o dado e te entregar essas respostas.”, explicou Arthur Silveira.
Histórias pessoais e inspiração para empreender
Ao final da conversa, os participantes destacaram que experiências familiares, capacidade de adaptação e visão de longo prazo continuam sendo elementos centrais na formação de empreendedores.
A discussão evidenciou que trajetórias pessoais, marcadas por imigração, criatividade ou inovação, muitas vezes se transformam em motores para a criação de negócios e projetos com impacto duradouro.
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