
O deputado estadual Douglas Ruas foi escolhido pelos pares nesta sexta-feira (17) para presidir a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Isso dá a ele mais do que o comando do parlamento fluminense.
Ruas assume o posto em um momento em que o estado está acéfalo. O governador, Claudio Castro (PL), renunciou para não ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral eleitoral por abuso de poder político, econômico, irregularidades em gastos de recursos eleitorais e conduta proibida aos agentes públicos no período eleitoral. Tudo isso porque o Ministério Público do Rio identificou um sistema de contratações temporárias pela Fundação Ceperj, fundação estadual que atua em estratégias de políticas públicas. Ao todo, 18 mil pessoas teriam sido contratadas em projetos do governo sem publicação clara dos nomes ou funções.
Segundo a denúncia, os funcionários foram usados para montar uma máquina de campanha informal dentro da Ceperj. Eles atuavam como cabos eleitorais e promoviam ações de governo em período eleitoral – um caso clássico de uso da máquina pública em benefício próprio.
O vice de Castro, Thiago Pampolha, não pode assumir porque foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado e assumiu o posto em 2025.
Pela ordem, quem deveria assumir o governo, então, era Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj. O problema é que Bacellar está licenciado do mandato desde que 10 de dezembro de 2025, quando foi preso na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal.
Ele é suspeito de vazar informações sigilosas sobre a investigação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. Santos Silva é acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho.
A derrubada do castelo de cargas tornou a eleição para a Alerj, nesta sexta-feira, um momento-chave da política fluminense. Ruas, o presidente eleito, é pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro. E, pela linha de sucessão, deveria assumir o posto já, mas a definição sobre quem comandará o Palácio Guanabara ainda depende do Supremo Tribunal Federal.
O governador interino é hoje o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio.
Ruas teve com 44 votos de um total de 70 possíveis em uma votação em que 25 parlamentares deixaram o plenário em protesto. Um racha e tanto.
O cargo deve turbinar as chances de Ruas durante a eleição de outubro. Ele seria, de toda forma, o nome apoiado por Castro para a sucessão.
O Rio de Janeiro prova, assim, a sentença do Príncipe de Falconeri, personagem de “O Leopardo”, de Lampedusa: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.
