Aluno da USP morto na Ucrânia buscava “ser herói”, diz amigo

Aluno de Direito da USP, Igor de Aguiar Amazonas, morre em combate na guerra da UcrâniaReprodução/Arquivo pessoal

O estudante de Direito da USP, Igor de Aguiar Amazonas, de 23 anos, foi considerado “desaparecido em combate” após atuar no Exército ucraniano na guerra contra a Rússia. A informação foi confirmada ao iG pelo Itamaraty, que recebeu notificação da Embaixada do Brasil em Kiev sobre o status do jovem.

Em entrevista ao iG, um amigo próximo de Igor, que preferiu não se identificar, afirmou que um soldado do Batalhão de Fuzileiros da 3ª Brigada, unidade na qual o brasileiro atuava, teria entrado em contato com a irmã do estudante na última sexta-feira (10) para informar sobre sua morte.

Segundo o relato, Igor viajou para a Ucrânia em julho de 2025, embora já manifestasse há algum tempo o desejo de participar do conflito. O amigo contou ainda que tentou convencê-lo a seguir outro caminho, sugerindo o alistamento na Legião Estrangeira da França, em vez de ingressar diretamente em uma zona de guerra.

A decisão, no entanto, enfrentou resistência da família. De acordo com o amigo, o pai da namorada de Igor chegou a oferecer ao jovem uma oportunidade de trabalho “bem remunerada” para que ele desistisse da viagem. Ainda assim, ele optou por seguir para o front.

“Ele não fez isso por dinheiro, nem por aventura. Ele queria ajudar as pessoas. Acreditava que o que estava acontecendo na Ucrânia era errado, que se tratava de uma invasão. O Igor era um cara muito bondoso”, afirmou.

Mesmo com dificuldade no idioma, já que não falava a língua local, Igor relatava ter sido bem recebido no país. Segundo o amigo, a maior parte de seu círculo de amizades durante o conflito era formada por outros brasileiros.

Embora sonhasse em estar no front, Igor também imaginava que voltaria ao Brasil. Ele tinha planos de abrir um curso de esgrima na faculdade e sonhava em ter a própria empresa de segurança. 

Em nota, a Diretoria da Faculdade de Direito da USP manifestou solidariedade à família e amigos de Igor. Segundo a universidade, o estudante, de 23 anos, está matriculado no segundo ano do curso. A FDUSP informou que acompanha o caso junto às autoridades brasileiras.

“Aluno dedicado, Igor Amazonas participava intensamente das atividades da instituição. Dentre as quais, o Grupo de Extensão Nexo Governamental XI de Agosto”.

O projeto de extensão Nexo Governamental XI de Agosto publicou uma foto lamentando a morte do jovem. 

Nota de pesar do Grupo de Extensão Nexo Governamental XI de Agosto, do qual Igor fazia parteReprodução/redes sociais

Ataque nas redes sociais

Desde a divulgação do caso, familiares e amigos relatam uma série de ataques e comentários ofensivos nas redes sociais. O amigo ouvido pela reportagem pede respeito à memória de Igor.

“Eu vejo como as pessoas têm reagido nas redes sociais, nos comentários das reportagens, e isso que as pessoas falam não retratam o Igor. O Igor era um cara de bom coração, um cara muito empático, sabe? Um cara que não ligava de dividir aquilo que ele tinha com as pessoas. Ele se importava de fato. E ele não era um maluco, um mercenário, não. Ele tava lá porque ele acreditava naquilo que fazia”, disse. 

Brasileiros na guerra

Outras famílias e conhecidos também relataram ao iG casos de brasileiros mortos ou desaparecidos no conflito entre Rússia e Ucrânia. O Itamaraty informou que mantém contato com a família de Igor e presta assistência consular.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, até o momento foram registradas 30 mortes e 64 casos de brasileiros considerados “desaparecidos em combate” na guerra.

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