
O naufrágio do Príncipe de Astúrias completou 110 anos este ano e segue sendo lembrado como um dos maiores desastres marítimos da história do Brasil em número de vítimas. A tragédia ocorreu em 1916, nas proximidades de Ilhabela, e marcou profundamente o litoral paulista, ficando conhecida como o “Titanic brasileiro”.
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Um navio de luxo
Construído em 1914, o navio foi projetado para operar na rota entre Barcelona e Buenos Aires, transportando passageiros e cargas comerciais. Considerado o mais luxuoso e um dos mais modernos da frota espanhola, o transatlântico já havia realizado cinco viagens com sucesso e seguia em sua sexta travessia rumo à América do Sul.
O Príncipe de Astúrias pesava mais de 16 mil toneladas, e tinha capacidade de transportar 1890 passageiros, além de carga comercial. No entanto, não era apenas o porte e o número de pessoas a bordo que chamavam atenção.
Segundo o canal do Youtube “Uma História a Mais”, entre os itens transportados estavam um conjunto de estátuas de bronze, componentes do Monumento “La Carta Magna y las Cuatro Regiones Argentinas” do Parque Palermo, em Buenos Aires, e supostamente uma quantia de cerca de 40 mil libras-ouro.
Também há relatos de que a cabine do capitão José Lotina guardava cerca de 11 toneladas de ouro não declaradas oficialmente, o que contribuiu para teorias em torno do que realmente aconteceu com a embarcação.
O naufrágio

Por volta das 4h20 do dia 5 de março de 1916, o transatlântico enfrentou condições extremas no mar. A forte chuva, as ondas de vários metros de altura e a visibilidade quase nula impediram a tripulação de avistar o farol da Ponta do Boi.
Ao se aproximar de Ilhabela, no litoral norte paulista, o capitão José Lotina ordenou a redução da velocidade e a mudança de rota em direção ao alto-mar, mas a manobra não foi suficiente. O navio acabou colidindo com uma laje submersa na região da Ponta da Pirabura. O impacto foi violento e, em poucos minutos, a embarcação afundou completamente.
A bordo estavam 588 pessoas, entre passageiros e tripulantes. O número de vítimas ainda gera divergências até hoje, já que relatos históricos indicam a presença de passageiros clandestinos escondidos nos porões, muitos deles fugindo da Primeira Guerra Mundial.
Com isso, estimativas de pesquisadores apontam que o total de mortos pode ter ultrapassado mil pessoas. Ainda assim, de acordo com a Prefeitura de Ilhabela, os dados oficiais registram 445 mortes e 143 sobreviventes.
Os sobreviventes foram resgatados pelo navio francês Vega que passava pela região no momento do acidente. Ao amanhecer, corpos começaram a aparecer na Baía dos Castelhanos e também em áreas mais distantes como a Praia de Ubatuba. Nos dias seguintes, outros também corpos foram encontrados no mar.
O paradeiro do capitão José Lotina permanece desconhecido até hoje, cercado por mistérios. Uma das principais suspeitas é a de que ele teria desaparecido junto com a suposta carga de ouro transportada pelo navio.
Essa hipótese é defendida por estudiosos do caso, como o historiador e escritor Jeannis Platon, que já realizou diversos mergulhos na região dos destroços do Príncipe de Astúrias, localizados entre 20 e 50 metros de profundidade. Apesar das buscas, no entanto, nenhuma evidência do ouro foi encontrada.
Ao longo das décadas, o naufrágio deu origem a diferentes versões. Uma delas sugere ainda que o navio teria feito uma parada próxima à Ilha dos Búzios, onde parte da carga valiosa teria sido transferida para outra embarcação antes do acidente. A teoria levanta a possibilidade de que o naufrágio tenha sido premeditado, mas nunca foi comprovada.
Memória e história

A história desse e de outros naufrágios da região pode ser conhecida no Museu Náutico de Ilhabela, localizado no Centro Histórico do município. O espaço reúne peças resgatadas do fundo do mar, documentos e modelos de embarcações que ajudam a preservar a memória das tragédias marítimas do arquipélago.
