
Estação Primeira de Mangueira
Reprodução/TV Globo
Interditada há 2 anos pelo Corpo de Bombeiros por falta de segurança contra incêndio, a quadra da Estação Primeira de Mangueira continua recebendo eventos regularmente.
A escola completa 98 anos neste mês e planejou uma alvorada festiva para o dia 28 de abril, às 20h, no local. A presidente da agremiação, Guanayra Firmino, chegou a convidar o comandante do grupamento dos bombeiros músicos para participar da celebração com a banda sinfônica da corporação, mas o pedido foi negado.
Segundo os bombeiros, a quadra está interditada desde janeiro de 2024 e não pode receber público por apresentar “perigo sério e iminente”, com rotas de fuga comprometidas e risco aos frequentadores.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) investiga há 2 anos o descumprimento das normas de prevenção de incêndio e pânico pela escola. Recentemente, o órgão cobrou explicações da Prefeitura do Rio e do Corpo de Bombeiros sobre a interdição.
Um laudo de fiscalização aponta que a sinalização de segurança e as saídas de emergência são precárias.
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Em resposta ao MPRJ, em janeiro, o secretário de Ordem Pública (Seop), Marcus Belchior, informou ter notificado a escola em 2026 para apresentar alvará, certificado dos bombeiros e documentação de uso do espaço.
Também em janeiro, a Mangueira enviou esclarecimentos ao MPRJ afirmando que realiza apenas eventos de pequeno porte, com público entre 500 e 1.000 pessoas, e que o processo de regularização junto ao Corpo de Bombeiros está em andamento.
Os bombeiros disseram que não há pedidos recentes de autorização para eventos na quadra da escola e que o único pedido de desinterdição apresentado pela escola foi negado em 5 de fevereiro de 2024. Assim, qualquer uso do espaço ocorre em desacordo com a interdição.
Bombeiros dizem que não há pedido recente de desinterdição da quadra da Mangueira
Reprodução/TV Globo
Apesar disso, a quadra tem recebido eventos com frequência. O local ficou lotado durante uma feijoada em fevereiro e também sediou atividades como a final do samba-enredo, em setembro do ano passado. Em uma das eliminatórias, a escola chegou a cobrar R$ 1 mil por um camarote.
A próxima movimentação no inquérito será uma reunião entre o MPRJ, bombeiros, Seop e representantes da escola, marcada para 4 de junho. A promotoria disse que o objetivo é cobrar dos órgãos públicos o cumprimento das medidas.
Até lá, a quadra deve continuar com programação prevista, incluindo um baile neste sábado (18) e um evento de samba no dia 1º de maio, anunciado na página da escola.
Quadra da Mangueira
Reprodução/TV Globo
O que dizem os envolvidos
A Mangueira disse que está adequando a quadra às normas de segurança dos bombeiros e que o processo de adequação está dentro do prazo estabelecido pelo órgão competente.
O RJ2 procurou os bombeiros de novo. A corporação disse que não há, até agora, registro de qualquer processo de adequação às normas de segurança na quadra da Mangueira.
A Prefeitura do Rio não retornou.
