Itu (SP) tem 3,5 toneladas de resíduos radioativos armazenados

O espaço, que fica no bairro Botuxim, abriga o material desde 1970, e não tem destinação definida até o momentoReprodução

Um sítio localizado na cidade de Itu, no interior de São Paulo, tem cerca de 3.500 toneladas de resíduos radioativos de baixa intensidade, provenientes do processamento de terras raras, armazenados em seu terreno. O espaço, que fica no bairro Botuxim, abriga o material desde 1970, e não tem destinação definida até o momento.

O insumo, conhecido como “Torta II”, está sob responsabilidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e já foi colocado em processo de oferta pública, mas não houve apresentação de propostas e nem interesse, ficando sem previsão de retirada do local.

É seguro o armazenamento deste material?

Informações da INB explicam que o material está distribuído em sete silos construídos especificamente para este tipo de resíduo. As estruturas de armazenamento lembram piscinas feitas de concreto, de formato retangular. Elas são impermeabilizadas, seladas e cobertas, ocupando uma área aproximada de 800 metros quadrados dentro de um espaço isolado de 20 mil metros quadrados. Toda a área está dentro do Sítio São Bento, que possui aproximadamente 300 mil metros quadrados.

A empresa afirma que o local é cercado, murado e possui controle de acesso, além de seguir requisitos rígidos de segurança e proteção, com monitoramento constante e em conformidade com as normas da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).

LEIA MAIS: Acidente com Césio-137 completa 38 anos: relembre a história

Posicionamento da prefeitura

A Prefeitura de Itu destaca que acompanha a situação e mantém o diálogo com os órgãos responsáveis, mas explicou que a fiscalização deste tipo de material não cabe ao município, e sim aos órgãos federais como a Comissão Nacional de Energia Nuclear. A administração municipal completou dizendo que o material está guardado de forma segura e sob controle, seguindo avaliações técnicas, e que não há risco para saúde das pessoas e nem para o meio ambiente.

Especialistas no assunto, explicaram ao Jornal Cruzeiro do Sul, que esse tipo de resíduo emite pouca radiação e se armazenado da maneira correta e bem monitorado, representam risco muito baixo.

Mas é importante ressaltar que as estruturas de armazenamento precisam estar intactas. Em caso de vazamento ou problemas semelhantes, o material pode contaminar o solo, a água subterrânea e até atingir a cadeia alimentar, trazendo riscos para o futuro.

Sem destino definido

O destino do material é um desafio para o país, já que o Brasil enfrenta limitações estruturais para o armazenamento deste tipo de resíduo em grande escala. Enquanto isso, o material segue sem previsão de retirada do local e a destinação não tem um cronograma estabelecido, dependendo da discussão em âmbito federal.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.