Brasileira com doença sem cura escolheu morte assistida na Suíça

Célia escolheu o suicídio assistido, uma prática ilegal no Brasil, então viajou para a Suíça para realizar o procedimento que foi organizado e planejado ao longo de sete meses com uma ONG especializadaReprodução/ Redes Sociais

A professora Célia Maria Cassiano, que atuava na cidade de Campinas, em São Paulo, escolheu passar pelo procedimento de morte assistida nesta quarta-feira (15), na Suíça. Diagnosticada com atrofia muscular progressiva (AMP), uma doença degenerativa, sem cura, ela compartilhava a rotina e os desafios impostos pela sua condição nas redes sociais. Em um vídeo de despedida, ela celebrou ter vivido “uma vida deliciosa”.

Célia Maria Cassiano, escolheu passar pelo procedimento de morte assistida nesta quarta-feira, na Suíça. Diagnosticada com atrofia muscular progressiva, uma doença degenerativa, sem cura, ela compartilhava a rotina e os desafios impostos pela sua condição nas redes sociais. pic.twitter.com/K1wh4ddvKe

— iG (@iG) April 18, 2026

Célia estudou Ciências Sociais e fez mestrado de Multimeios na Unicamp, atuava como educadora na área de artes no Sesc e na Esamc, em Campinas.

Descoberta da doença

O diagnóstico da doença chegou em outubro de 2024, quando a professora passou a usar as redes sociais para falar abertamente sobre a doença e mostrar as dificuldades motoras de como o corpo para de responder aos comandos conforme a evolução do quadro.

Com o avanço da doença, Célia passou a depender de cuidadores de forma constante para tarefas como tomar banho, se alimentar e se locomover.

Em março deste ano, após perceber alterações na voz, a educadora criou um documento com Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), no qual afirmava que não aceitaria procedimentos invasivos para prolongar sua vida.

A escolha

Célia escolheu o suicídio assistido, uma prática ilegal no Brasil, então viajou para a Suíça para realizar o procedimento que foi organizado e planejado ao longo de sete meses com uma ONG especializada.

Antes da despedida, Célia curtiu sua viagem ao país. No dia 11 de abril ela começou a publicar fotos da viagem à Zurique, dizendo aos amigos que participaria de um tratamento experimental.

Só na quarta-feira (15) que a professora contou aos seguidores e amigos o motivo da viagem e sua escolha pela morte assistida.

Ainda deixou uma mensagem defendendo a prática como um direto que o Brasil deveria permitir.

Prática proibida no Brasil

Tanto a eutanásia, que é quando a equipe médica administra o medicamento, quanto o suicídio assistido, em que a ação é do próprio paciente, são práticas consideradas ilegais no Brasil.

No Código Penal brasileiro, essas práticas são entendidas como homicídio ou indução ao suicídio. Já a ortotanásia, quando um paciente em estado terminal decide não passar por intervenções que prolonguem a vida, permitindo que a morte ocorra de forma natural, é regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, na resolução nº 1.805/2006.

Especialistas defendem que o assunto deveria ser mais discutido no país, que ainda trata o tema como um tabu.

A Suíça é o único país que permite o suicídio assistido para estrangeiros não residentes, por isso há um movimento de pacientes que buscam o país para a realização do procedimento.

O que é a atrofia muscular progressiva?

A Atrofia Muscular Progressiva (AMP) é uma doença rara e degenerativa que afeta os neurônios motores inferiores na medula espinhal, resultando em fraqueza, perda de massa muscular, ou seja atrofia, e contrações involuntárias. 

O que se sabe sobre a doença ELAGerado por IA

É uma forma de doença do neurônio motor (DNM) que progride lentamente, afetando principalmente os membros, e é considerada um subtipo da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), sem cura. 

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