O Brasil reúne atributos cada vez mais valorizados pelo investidor internacional: abundância de recursos naturais, matriz energética competitiva, protagonismo no agronegócio e potencial relevante em minerais críticos.
Na avaliação de executivos da BlackRock, porém, esses fatores, isoladamente, já não garantem a atração de investimentos.
“A geopolítica deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar o centro da análise de investimentos”, afirmou Anna Parker, head of Geopolitical Research da BlackRock.
A mensagem transmitida nos painéis realizados nesta semana na sede da gestora, em Nova York, foi clara: no ambiente global atual, o capital busca previsibilidade institucional, segurança jurídica e capacidade de execução.
Os debates integraram a agenda promovida pelo Money Report, com mediação de Aluizio Falcão Filho, e reuniram Anna Parker, Ricardo Mora, vice chairman para as Américas, e Jorge Madrazo, head de estratégia para a América Latina.
Geopolítica no centro das decisões de investimento
Segundo Anna Parker, a rivalidade entre United States e China, as restrições tecnológicas, a disputa por energia e minerais críticos e a reorganização das cadeias produtivas vêm alterando os critérios de alocação global.
“O investidor global está olhando não apenas para fundamentos econômicos, mas para a capacidade dos países de navegar um ambiente geopolítico mais complexo”, disse.
Nesse contexto, países intermediários, como o Brasil, podem ganhar relevância.
“Não basta ter recursos. É preciso ser percebido como parceiro confiável de longo prazo”, resumiu Anna Parker.
Inteligência artificial e produtividade
Outro tema destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre a produtividade. Segundo os debatedores, em algumas empresas de tecnologia, cerca de 40% do código já é produzido com apoio de IA.
“O papel do profissional está migrando da execução para a supervisão”, afirmou Ricardo Mora ao comentar como a inteligência artificial vem alterando a forma de desenvolvimento de software.
A avaliação é que o principal diferencial competitivo estará na capacidade de incorporar essa tecnologia para ampliar eficiência, reduzir custos e acelerar processos.
“Quem souber usar a inteligência artificial como ferramenta terá um ganho de produtividade relevante”, acrescentou.
Crédito privado como alternativa de financiamento
No painel sobre crédito privado, Ricardo Mora e Jorge Madrazo destacaram o crescimento dessa classe de ativos como alternativa ao financiamento bancário tradicional.
“O capital privado está disposto a financiar crescimento, desde que o risco seja mensurável”, afirmou Jorge Madrazo.
Com bancos mais seletivos e maior demanda por capital estruturado, o crédito privado vem ganhando espaço no financiamento de empresas, projetos de infraestrutura e iniciativas de longo prazo.
“O Brasil tem os ativos que o mundo procura. O desafio é mostrar que também possui as condições institucionais para transformar essa vantagem em investimento de longo prazo”, disse Madrazo.
O novo filtro do capital global
A principal conclusão dos debates é que o mundo passa por uma reprecificação estrutural do risco. Geopolítica, produtividade e qualidade institucional passaram a influenciar de forma mais direta o custo do capital.
Nesse cenário, o Brasil reúne ativos estratégicos que despertam o interesse de investidores globais.
A questão, segundo a leitura apresentada nos painéis, é se o país será capaz de transformar seu potencial em confiança suficiente para atrair investimentos de forma consistente e duradoura.
Como resumiu Anna Parker:
“Em um mundo mais fragmentado, previsibilidade institucional e clareza estratégica se tornaram ativos ainda mais valiosos.”
*Este conteúdo faz parte da cobertura especial Brazilian Week 2026 | BM&C News, projeto editorial que acompanha os principais debates sobre o Brasil no radar do capital global.
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