Layoff: RS tem 1,2 mil trabalhadores com contrato suspenso, entenda o que é


Layoff: RS tem 1,2 mil trabalhadores com contrato suspenso, entenda o que é
Mais de 1.200 funcionários de três empresas do setor de máquinas agrícolas no noroeste do Rio Grande do Sul tiveram seus contratos de trabalho suspensos. A medida, conhecida como layoff, foi adotada devido a uma queda acentuada nas vendas de colheitadeiras e atinge trabalhadores das cidades de Horizontina, Santa Rosa e Panambi.
O layoff é um programa que permite a suspensão temporária dos contratos para que as empresas possam enfrentar crises financeiras. Em Horizontina, 800 trabalhadores estão no programa desde abril. Em Santa Rosa, são 300 funcionários, e em Panambi, outros 120, totalizando 1.220 metalúrgicos afastados.
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Durante o período de afastamento, que pode durar até cinco meses, o trabalhador tem o contrato suspenso, mas continua recebendo salário. Uma parte é paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do governo federal, e a outra é complementada pela empresa. Em contrapartida, o funcionário precisa frequentar cursos de qualificação profissional.
O metalúrgico Sergio Peres dos Santos, que trabalha em uma indústria de colheitadeiras em Santa Rosa, relata a angústia gerada pela situação.
“O pessoal fica bastante apreensivo, (sem saber) o que vai acontecer, se vai acontecer demissão. Ou vou pro layoff ou vou ser demitido. O pessoal fica bem ansioso até que se decide isso”, afirma.
Queda nas vendas e incerteza no setor
O principal motivo para a adoção do layoff é a redução de 40% nas vendas de colheitadeiras no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Entre janeiro e março deste ano, foram vendidas 1.315 colheitadeiras no Brasil, contra 2.127 no ano anterior.
Segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos de Oliveira, a baixa se deve à rentabilidade reduzida do agricultor e às altas taxas de juros.
“Se ele for pegar qualquer dinheiro fora do plano safra, vai custar pra ele 22%”, explica.
A queda, segundo a Abimaq, ocorre no mercado interno, já que as exportações apresentaram aumento. A previsão de recuperação, no entanto, gera incerteza.
“Esse ano a gente não vê grandes modificações nem o ano que vem. Talvez o outro ano, talvez 2028”, projeta Oliveira.
Preocupação entre trabalhadores e sindicato
A incerteza preocupa funcionários e o sindicato da categoria, já que este é o segundo layoff em três anos. O coordenador regional da Federação dos Metalúrgicos do RS, Savio André dos Santos, lembra que, após um programa semelhante em 2024, as empresas reduziram seus quadros de funcionários.
“Após o layoff que tivemos em 2024, as companhias multinacionais reduziram seus quadros em percentuais pequenos, readequando conforme a realidade das produções”, aponta Santos.
Ele defende a manutenção dos empregos como forma de garantir mão de obra qualificada para o futuro. “Manter esses postos de trabalho é uma garantia que lá no futuro você vai ter uma mão de obra qualificada, produtividade e também qualidade no seu produto.”
O que dizem as empresas
Em nota, a John Deere informou que mantém seu planejamento de readequação de volume e a suspensão temporária de contratos na unidade de Horizontina, em alinhamento com as demandas de mercado. A empresa destacou que os funcionários participam de cursos de qualificação no Senai.
A AGCO comunicou que suspendeu temporariamente parte de suas operações em Santa Rosa após análise do cenário. A proposta de layoff, com duração inicial de três meses, foi aprovada em assembleia e visa “readequar o volume de produção à demanda atual do mercado, priorizando a manutenção do nível de emprego”.
Layoff: RS tem 1,2 mil trabalhadores com contrato suspenso
Reprodução/RBS TV
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