
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confidenciou a aliados que pode reenviar a indicação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições, mas uma ala do governo avalia que há novo risco de derrota.
Um ministro disse ao blog, porém, que o presidente ainda não bateu o martelo e ainda estuda o que fazer nas próximas semanas.
Interlocutores do presidente aconselham Lula a, primeiro, ter uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável, na visão do governo, pela rejeição do nome de Jorge Messias em votação no plenário da Casa.
Messias teve 42 votos pela rejeição de sua indicação, e apenas 34 a favor — sete a menos do que os 41 necessários para sua aprovação (leia mais abaixo).
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Lula, porém, segue resistindo a se encontrar com Alcolumbre. Eles estiveram juntos na posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, mas apenas se cumprimentaram formalmente.
Sentaram lado a lado, mas Lula praticamente não olhou para o presidente do Senado durante a cerimônia. Segundo presentes, o clima entre eles não está nada bom.
O presidente considera que a rejeição de Jorge Messias foi uma derrota do governo, e não do advogado-geral da União.
Advogado-geral da União e indicado ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, e presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ricardo Stuckert / PR
Promessa
Por isso, estaria disposto a reenviar o nome dele. Em conversa com Messias, Lula disse a seu ministro que, um dia, ele ainda será ministro do STF, principalmente se ele for reeleito presidente da República.
A fala foi entendida como uma promessa de que, num eventual quarto mandato, quando terá pelo menos duas indicações a fazer — nos lugares dos ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia —, ele encaminharia o nome de Messias novamente.
Mas, nos últimos dias, assessores disseram que ele estaria analisando reenviar o nome do ministro da AGU antes mesmo das eleições deste ano, quando disputa o quarto mandato como presidente da República.
Seria uma forma de dobrar a aposta. O risco de derrota, segundo aliados, poderia ser usado como arma durante a campanha eleitoral. O problema seria para Messias, de como ele iria absorver uma segunda derrota.
