Workplace experience ganha protagonismo na produtividade das empresas

O debate sobre workplace experience passou a ocupar um espaço estratégico nas empresas, em meio à retomada dos escritórios, ao avanço do trabalho híbrido e à busca por produtividade com melhor experiência para colaboradores e clientes. No programa Conexão Segura, da BM&C News, especialistas analisaram como cultura, tecnologia, liderança e ambientes corporativos passaram a se conectar diretamente à competitividade dos negócios.

A discussão ocorre em um momento em que muitas companhias ainda tentam equilibrar o retorno ao presencial com as expectativas criadas pelo trabalho remoto durante a pandemia. Para Valdemar Junque, o modelo híbrido tende a ser o mais adequado quando combina convivência, colaboração e flexibilidade, sem ignorar os ganhos de produtividade percebidos por parte dos profissionais no período remoto.

“Eu particularmente gosto do híbrido. Eu gosto do face to face com todo mundo. Aquele cafezinho que você resolve aquele problema que você está há 15 dias no online e não consegue resolver”, analisa Valdemar Junque.

Cultura corporativa depende de liderança pelo exemplo

No novo ambiente de trabalho, a cultura corporativa não se sustenta apenas por diretrizes formais. A retomada do presencial, quando definida pelas empresas, exige que a liderança participe do processo e dê exemplo para que os times percebam coerência entre discurso e prática.

Essa mudança também altera a forma de liderar. O modelo baseado em controle visual das equipes perde espaço para uma gestão mais orientada por confiança, entregas, conexão com objetivos de negócio e construção de vínculos entre líderes e liderados.

“Se você não cria um laço com seu liderado, ele não vai te seguir. E a liderança hoje ela se adaptou”, observa Valdemar Junque.

Tecnologia precisa ser meio para resultado, não fim em si mesma

A tecnologia aparece como elemento decisivo para viabilizar o trabalho híbrido, mas sua função vai além da infraestrutura. Para que equipes distribuídas consigam colaborar, reunir-se e tomar decisões, as ferramentas precisam operar com qualidade, estabilidade e boa experiência de uso.

Nesse contexto, a área de tecnologia também assume papel mais próximo do negócio. O profissional de TI deixa de atuar apenas como suporte técnico e passa a compreender processos, gargalos, vendas, logística, indicadores e impactos operacionais que influenciam diretamente a competitividade da empresa.

“A experiência tem que ser sempre boa e de boa qualidade. Ter dados, eu tenho que está tudo funcionando bem. E a obrigação da tecnologia fornecer isso com a melhor experiência para quem está na ponta”, ressalta Valdemar Junque.

IA deve partir da dor concreta da operação

A inteligência artificial também foi abordada no programa como parte da agenda de eficiência das empresas. A leitura apresentada é que a adoção de IA não deve ocorrer apenas para demonstrar atualização tecnológica, mas precisa partir de problemas reais da operação.

Em áreas como supply, logística, controle de fretes e gestão de processos, a IA pode gerar ganhos quando conectada a uma dor específica. A prioridade, portanto, não é implementar a tecnologia pela tecnologia, mas entender onde ela pode melhorar produtividade, reduzir gargalos e apoiar decisões.

“Vamos dar um passo atrás e primeiro entender a dor do meu cliente final e aí eu vejo o que eu tenho de tecnologia utilizando IA para fazer isso”, explica Valdemar Junque.

Escritório passa a ser espaço de conexão e fluidez

No segundo bloco do Conexão Segura, Ricardo destacou que o pós-pandemia elevou a expectativa dos colaboradores em relação à experiência no escritório. A digitalização acelerada fez com que as pessoas passassem a esperar mais velocidade, facilidade e fluidez também nas interações corporativas presenciais.

Com isso, o escritório deixa de ser apenas um local de trabalho e passa a funcionar como um espaço de conexão, colaboração, reuniões, eventos e rituais. A tecnologia, nesse ambiente, deve reduzir atritos e tornar a experiência mais simples para quem está no escritório e para quem participa remotamente.

“A tecnologia, entra nesse lugar não para dificultar, né? Ela tem que entrar para ela ser praticamente invisível”, pondera Ricardo.

Soluções precisam considerar o uso real dos ambientes

A implantação de tecnologia no workplace não pode ser guiada apenas pela escolha da ferramenta mais avançada. Ricardo defende que cada ambiente precisa ser pensado a partir de sua finalidade, do perfil dos usuários e do tipo de interação que será realizada naquele espaço.

Essa abordagem transforma o escritório em um conjunto de experiências. Salas voltadas à criatividade, reuniões de foco, encontros de liderança, conversas individuais e colaboração híbrida exigem soluções diferentes, mesmo quando fazem parte de uma estratégia corporativa padronizada.

“Eu quero uma sala para ser criativa, uma sala para conectar o time e discutir assuntos delicados, eu quero uma sala de board”, exemplifica Ricardo.

Workplace experience tangibiliza a cultura da empresa

A relação entre cultura e ambiente físico também foi apontada como um fator relevante para a produtividade. Para Ricardo, o workplace ajuda a transformar a cultura corporativa em experiência concreta, por meio dos espaços, das soluções implantadas e da forma como os colaboradores interagem com o escritório.

Essa conexão torna o escritório mais estratégico para o negócio. Em vez de ser apenas um ponto de presença, ele passa a funcionar como um ambiente capaz de reforçar marca, propósito, cultura, colaboração e até apoiar relações comerciais.

“O escritório ele ajuda as empresas a fecharem negócios”, afirma Ricardo.

Tecnologia aplicada ao trabalho híbrido reforça experiência do usuário

No encerramento do programa, o projeto da Netglobe com a CION Advogados mostrou a aplicação prática da tecnologia em salas de reunião e ambientes híbridos. A proposta, segundo Felipe Guardiano, foi ampliar a flexibilidade dos colaboradores e facilitar o uso das soluções multimídia no escritório.

O caso reforça um ponto recorrente no debate: tecnologia corporativa precisa considerar usabilidade, aceitação e aderência ao negócio. Quando a solução é simples de usar e responde às necessidades específicas da empresa, o ambiente de trabalho tende a ganhar eficiência, qualidade percebida e melhor experiência para os usuários.

“O nosso objetivo era trazer algo mais facilitado, digamos assim, para eles utilizarem”, relata Felipe Guardiano.

A análise apresentada no Conexão Segura mostra que workplace experience, cultura e tecnologia passaram a compor uma mesma agenda estratégica. O escritório do futuro tende a ser menos associado à obrigação de presença e mais conectado à capacidade de gerar colaboração, produtividade, experiência e resultado para o negócio.

 

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