Empreendedorismo, networking e adaptação: o que conecta esporte, negócios e mercado

O programa Money Report, da BM&C News, reuniu Cristina Falcão, CEO de Money Report, o medalhista olímpico Thiago Pereira, hoje executivo da área de seguros, e Alex Rosário, fundador e CEO da Sede, para uma conversa sobre empreendedorismo, relacionamento, esporte, bem-estar e transformação dos negócios. A discussão mostrou como setores diferentes enfrentam desafios semelhantes: identificar oportunidades, construir reputação, formar redes de relacionamento e adaptar modelos de atuação em um ambiente competitivo.

No caso da Sede, Alex Rosário explicou que a entrada no mercado de bebidas funcionais surgiu a partir da leitura de uma lacuna entre consumo, saúde e tecnologia. Embora o setor de energéticos já conte com grandes marcas consolidadas, o executivo avalia que a evolução dos produtos e dos serviços abriu espaço para novas propostas de funcionalidade, naturalidade e bem-estar.

“O Brasil hoje, é o segundo país que mais cresce nesse segmento no mundo, atrás apenas do México, com uma grande diferença. O Brasil já é um país muito grande, com mercado muito grande, enquanto o mercado do México é um mercado pequeno”, afirma Alex Rosário.

Tecnologia amplia espaço para bebidas funcionais

A estratégia da Sede parte da tentativa de diferenciar a marca em uma categoria já conhecida pelo consumidor. Rosário afirmou que o principal produto da empresa utiliza cafeína microencapsulada, processo desenvolvido para permitir absorção gradual da substância e reduzir efeitos colaterais associados ao consumo tradicional de energéticos.

Na avaliação do executivo, a tecnologia aplicada ao produto precisa estar conectada a uma promessa de saúde compatível com diferentes perfis de consumidores. A leitura apresentada no programa é que o mercado de bem-estar não deve se limitar à lógica de alta performance, mas considerar rotina, ritmo e necessidades individuais.

“Então, nada mais é do que uma rampa suave de energia, onde aquilo ali vai te trazer foco, vai te trazer disposição”, explica Alex Rosário.

Esporte, resiliência e mundo corporativo

A experiência de Thiago Pereira trouxe ao debate a relação entre esporte e carreira executiva. Para o medalhista olímpico, a vida esportiva ensina habilidades que podem ser transferidas para os negócios, como disciplina, resiliência, capacidade de lidar com derrotas e insistência diante de metas de longo prazo.

O executivo também diferenciou a prática esportiva voltada à saúde da alta performance competitiva. Segundo ele, a preparação de um atleta de elite impõe níveis elevados de exigência física e mental, enquanto a prática de esporte depois da carreira profissional passou a ter outro objetivo: longevidade e equilíbrio.

“Hoje eu pratico esporte. Eu treinava. Hoje eu pratico esporte, longevidade”, diz Thiago Pereira.

Networking ganha peso na agenda empresarial

A conversa também avançou para a experiência da missão empresarial realizada por Money Report em Nova York. Cristina Falcão destacou que o valor do encontro está na concentração de empresários, executivos e lideranças em um mesmo ambiente, com tempo disponível para troca de ideias, construção de relacionamento e abertura de oportunidades.

Segundo ela, a agenda reuniu cerca de 120 empresários e sete eventos ao longo da semana, com temas como geopolítica, inteligência artificial e tendências presentes nas decisões estratégicas das companhias. A leitura apresentada é que o deslocamento para fora do Brasil cria uma dinâmica diferente, na qual os participantes se dedicam integralmente às interações planejadas.

“Então, se você fizer a mesma coisa aqui no Brasil que a gente fez lá, não vai funcionar igual”, observa Cristina Falcão.

Relação com parceiros define estratégia de crescimento

No debate sobre expansão comercial, Alex Rosário explicou que a Sede atua tanto no B2C quanto no B2B, mas com uma estratégia seletiva. A empresa busca consumidores alinhados ao posicionamento da marca e parceiros de varejo conectados ao avanço da saudabilidade, especialmente em canais que já desenvolvem categorias voltadas a produtos funcionais.

Essa escolha faz parte da construção de marca em uma etapa inicial de crescimento. Para Rosário, tão importante quanto definir onde estar é saber onde não estar, evitando oportunidades que não dialoguem com o momento da empresa ou com a filosofia do negócio.

“Então acho que mais vale a gente estar bem nesses lugares do que estar em lugares que de fato hoje não tem a mesma filosofia que a gente”, ressalta Alex Rosário.

Inteligência artificial, liderança e capacidade de adaptação

A adaptação apareceu como um dos eixos centrais da discussão. Thiago Pereira afirmou que a capacidade de se ajustar rapidamente a novas circunstâncias é uma competência decisiva tanto no esporte quanto no mundo corporativo. A inteligência artificial foi citada como exemplo de transformação que exige atualização contínua, em vez de resistência.

Cristina Falcão também relacionou adaptação à transição da carreira executiva para o empreendedorismo. Para ela, empreender exige sair de uma estrutura com retaguarda e assumir responsabilidades sobre todas as áreas do negócio, inclusive aquelas que não correspondem ao talento principal do fundador.

Mulheres, autonomia financeira e futuro dos negócios

A presença feminina no ambiente empresarial também foi tema do programa. Cristina Falcão relatou desafios enfrentados na carreira executiva, incluindo os impactos profissionais após a licença-maternidade, e afirmou que ainda há diferenças relevantes na forma como mulheres são percebidas em posições de comando, especialmente em setores com maior presença masculina.

O programa também abordou a autonomia financeira feminina como tema de mercado. Para Cristina, a ampliação da presença das mulheres em decisões empresariais e de investimento exige que empresas, bancos e marcas revisem formas de comunicação, produtos e abordagens. A síntese da conversa aponta para um ambiente em que relacionamento, adaptação e leitura de comportamento se tornam ativos estratégicos para empresas que buscam crescer em mercados mais competitivos.

“Ter o dinheiro é diferente de você ter autonomia e fazer a melhor gestão dele”, afirma Cristina Falcão.

 

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