
O William Pimenta Gusmão, irmão da influenciadora Virginia Fonseca, foi condenado por importunação sexual contra a empreendedora Lilly Martins. A decisão, tomada por unanimidade pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), reverteu parcialmente a absolvição dada em primeira instância. O empresário é acusado por dois episódios.
Os desembargadores reconheceram o crime em um dos dois episódios apresentados no processo e mantiveram a absolvição de William em relação ao segundo. A defesa nega a acusação, afirma que a decisão ainda não é definitiva e informou que recorrerá aos tribunais superiores.
O caso ocorreu durante a festa “Revoada”, realizada em abril de 2023, em Jussara, cidade do estado de Goiás. Segundo a denúncia, Lilly se aproximou de William para pedir uma foto após reconhecê-lo como irmão de Virginia.
Durante o registro da imagem, o empresário teria colocado a mão por dentro da roupa da empreendedora e tocado as partes íntimas dela sem consentimento. Lilly relatou que ficou sem reação e contou o ocorrido à companheira e a uma amiga logo depois.
Um segundo episódio teria ocorrido mais tarde, próximo ao estacionamento da festa. Os desembargadores entenderam, porém, que as provas reunidas não eram suficientes para uma condenação nesse ponto e mantiveram a decisão anterior.
Condenação reverte absolvição dada em 2025
William havia sido absolvido pela 2ª Vara Judicial da Comarca de Jussara em fevereiro de 2025. Na ocasião, a Justiça considerou que as provas apresentadas não eram suficientes para condená-lo.

A acusação recorreu. Ao analisar novamente o processo, a Câmara Criminal concluiu que havia elementos para reconhecer a importunação sexual no primeiro fato descrito na denúncia. A decisão foi unânime e contrariou parecer da Procuradoria-Geral de Justiça favorável à manutenção da absolvição.
Segundo o extrato da sessão obtido pelo Portal LeoDias, o colegiado deu provimento parcial ao recurso e condenou William somente pelo primeiro episódio.
O processo chegou a voltar à primeira instância para que fosse apresentada uma proposta de suspensão condicional. A defesa recusou o benefício, e o caso retornou ao Tribunal para a conclusão do julgamento.
Até a última atualização desta reportagem, a pena aplicada não havia sido divulgada. O processo tramita em segredo de Justiça por envolver crime contra a dignidade sexual.
Defesa nega acusação e anuncia recurso
Em nota divulgada nesta quinta-feira (09), a defesa de William afirmou que discorda da condenação e reiterou que ele nega a acusação. Os advogados também disseram que a decisão ainda não é definitiva e que recorrerão aos tribunais superiores.
Segundo a defesa, integrantes do Ministério Público se manifestaram pela absolvição nas duas fases do processo: na primeira instância, por meio do promotor de Justiça, e durante a análise do recurso, por meio do procurador de Justiça.
A defesa afirmou ainda que “cabem recursos aos Tribunais Superiores, que serão utilizados dentro das possibilidades legais”.
Essa versão fica mais segura porque separa claramente o que é fato processual do que é argumento dos advogados. Eu evitaria reproduzir como fato a expressão “ausência de provas e de materialidade delitiva”, pois essa é a interpretação apresentada pela defesa.
Veja abaixo a nota da defesa de William Pimenta Gusmão na íntegra:
“A defesa técnica de William Pimenta Gusmão vem a público manifestar-se sobre a recente decisão proferida pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.
Informamos que a decisão não é definitiva, pois trata-se do julgamento de um recurso dos assistentes de acusação.
Embora a defesa respeite o entendimento dos Desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás, manifesta sua veemente discordância com a condenação, uma vez que o réu nega peremptoriamente a prática do fato que lhe é falsamente imputado.
O Ministério Público, tanto em primeira instância, por meio do Promotor de Justiça quanto em grau de recurso, por meio do Procurador de Justiça emitiu pareceres favoráveis à absolvição de William Gusmão, constatando a flagrante ausência de provas e de materialidade delitiva.
Diante da inocência do acusado e da contradição entre o resultado do julgamento e o entendimento no Ministério Público e da linha de defesa e considerando que a decisão não é definitiva, ainda cabem recursos aos Tribunais Superiores, que serão utilizados dentro das possibilidades legais.”
Quem é William Pimenta Gusmão
William Pimenta Gusmão é empresário e ficou conhecido nacionalmente pela relação familiar com Virginia Fonseca, uma das influenciadoras mais seguidas do país.
Além da presença frequente em publicações da família, ele atua no setor de beleza e é fundador da Summer Beauty. William também reúne mais de um milhão de seguidores no Instagram.
Na época em que o caso veio a público, em 2023, ele era apresentado como diretor financeiro de empresas ligadas à irmã. William foi denunciado pelo Ministério Público em setembro daquele ano e se tornou réu em dezembro.
A condenação desta semana ainda pode ser recorria pela defesa.
Quem é Lilly Martins, vítima no processo

Rauriceia Martins da Costa, conhecida como Lilly Martins, é empreendedora e também já atuou como bombeira civil. Ela tinha 27 anos quando procurou a Polícia Civil e denunciou o episódio ocorrido na festa em Jussara.
Após a condenação, Lilly afirmou que esperou cerca de três anos por uma resposta da Justiça e relatou ter recebido críticas e acusações nas redes sociais durante a tramitação do processo.
“A minha vida virou totalmente de cabeça para baixo. Então todo mundo fazia chacota com a minha cara, falava que eu só queria seguidores”, disse ao g1. “Eu só queria justiça e a justiça, graças ao meu bom Deus, chegou.”
A defesa de Lilly não foi localizada pelo iG. O espaço segue aberto.
